Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

País

Metroviários decidem manter greve em São Paulo

Agência Brasil

A assembleia dos metroviários decidiu na tarde de hoje (8) manter a paralisação da categoria na capital paulista, contrariando decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo que determinou, mais cedo, o fim da greve. A paralisação do Metrô já dura quatro dias e foi considerada abusiva pelo TRT.

Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente do sindicato da categoria, disse que a proposta oferecida pelo governo estadual, a mesma da Justiça – 8,7% de aumento sobre os salários em 30 abril deste ano, que considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de 3,5% de aumento real – é insuficiente. O sindicato vai recorrer da decisão proferida hoje pelo TRT.

Os metroviários marcaram uma manifestação para as 7h de amanhã (9), partindo da Estação Ana Rosa do metrô, na zona sul, em direção ao centro da cidade. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), do Movimento Passe Livre (MPL) e das centrais sindicais devem participar do ato. Os empregados do Metrô prometem também fazer piquetes nas estações. Segundo o sindicato, uma nova assembleia da categoria foi marcada para amanhã, às 13h.

Altino disse ainda que o sindicato não tem intenção de prejudicar a Copa do Mundo – a abertura do evento ocorre daqui quatro dias na capital paulista. “O sindicato não quer acabar com a Copa. Sou torcedor de futebol e vou torcer pelo Brasil. Mas tem que ter dinheiro também para o trabalhador, não pode gastar só com o Itaquerão, só com grandes obras”, declarou.

O presidente do sindicato comentou ainda sobre a possibilidade de demissões. “Se tiver demissão, a situação vai piorar, porque nós vamos aumentar a greve. Se demitir vamos ficar mais dias em greve. Eu espero que a gente volte amanhã. Se o governador buscar uma negociação, a gente sai desse impasse”, disse ele.

Justiça considera que greve dos metroviários de SP é ilegal

Tribunal Regional do Trabalho (TRT) considerou neste domingo abusiva a greve dos metroviários de São Paulo durante uma audiência para definir a legalidade da paralisação, que teve início na última quinta-feira.

O tribunal decidiu ainda pela manutenção do pagamento da multa diária de R$ 100 mil pela paralisação ao Sindicato dos Metroviários em São Paulo, que será revertida ao Hospital do Câncer. A Justiça determinou ainda o reajuste salarial da categoria em 8,7%, última proposta feita pelo Metrô. 

Os desembargadores também decidiram que, caso os trabalhadores mantenham a greve, o sindicato deve pagar multa de R$ 500 mil por dia. A Companhia do Metrô foi autorizada a descontar os dias de paralisação na folha de pagamento dos grevistas, segundo a assessoria do TRT.

A categoria fará assembleia às 14h deste domingo para decidir se acata a decisão da Justiça.  O Metrô se manifestou, por meio de nota, logo após o término da audiência. A empresa disse que "respeita a decisão" do TRT e que "cumprirá as determinações da Justiça". "A Companhia aguarda o retorno imediato dos empregados ao trabalho para que o sistema volte a operar integralmente. Os excessos apurados durante a greve serão tratados em conformidade com os instrumentos internos e a legislação trabalhista", completou a empresa.

No fim da tarde de ontem, ocorreu nova assembleia do Sindicato dos Metroviários em São Paulo, que decidiu que a categoria vai continuar com a greve. Segundo o órgão, oito centrais sindicais ofereceram apoio à greve dos metroviários neste sábado. Entre elas, estão a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical.

Na sexta-feira, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) manteve a última proposta de reajuste salarial feita à categoria em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de 8,7%. 

Segundo o Tribunal, independentemente do resultado do julgamento de hoje, os metroviários deverão voltar ao trabalho logo após a sessão. Mas os trabalhadores dizem que a greve é por tempo indeterminado. 

(Com Portal Terra).

Tags: assembléia, metrô greve paralisação, metroviários, são paulo, sindicato

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