Jornal do Brasil

Domingo, 26 de Outubro de 2014

País

Tropa de Choque expulsa grevistas de estação do Metrô de SP

Portal TerraFábio Santos

Funcionários do Metrô de São Paulo que ocupavam a estação Ana Rosa, que atende as linhas 1 – Azul e 2 – Verde, para a realização de um piquete foram expulsos pela Tropa de Choque da Polícia Militar na manhã desta sexta-feira (6).

Os metroviários estavam no local desde o horário em que a estação deveria ser aberta, às 4h40. A PM chegou ao local cerca de uma hora depois. Apesar de inicialmente não ocorrer nenhuma movimentação, perto das 6h40 a Tropa de Choque foi acionada e, por meio de bombas de efeito moral e golpes de cassetete, os metroviários foram expulsos do local.

José Carlos dos Santos, eletricista do Metrô, ficou ferido na perna por estilhaços de uma bomba. "A gente já estava saindo, e eles (policiais) vieram com agressão. Tenho 30 anos de Metrô, e eles vêm aqui e fazem isso", disse dos Santos.

A intenção dos funcionários era impedir a abertura da estação e que o plano de contingência do Metrô fosse acionado, pois, de acordo os manifestantes, o pessoal que seria deslocado para este plano não está acostumado nem devidamente qualificado para operar o sistema, e também para não tirar a força da greve.

>> Metrô obriga supervisores a furar greve, diz sindicalista

"A gente vai garantir que os supervisores, que ontem foram obrigados pela empresa a furar a greve, que eles não trabalhem hoje. Eles não têm condições psicológicas. Agora, o governo mandou a PM até aqui para coibir o nosso piquete", afirmou Celina Maranhão, diretora do sindicato.

Segundo Raimundo Cordeiro, também diretor do sindicato da categoria, os supervisores se reuniram e decidiram que não vão trabalhar e irão aderir à greve. "Eles (supervisores) não têm experiência na condução. Estamos fazendo isso também para proteger a população", explicou Celina.

A estação Bresser-Mooca, na linha 3 – Vermelha, também foi ocupada na madrugada desta sexta-feira para a realização de piquetes, assim como aconteceu na Ana Rosa.

Assim como aconteceu ontem, as linhas 1 – Azul, 2 – Verde, 3 – Vermelha e 5 – Lilás amanheceram paralisadas nesta sexta-feira. Apenas a linha 4 – Amarela, de iniciativa privada, teve seu início de operação normal. Às 5h30, o Metrô informou que a linha 5 - Lilás passou operar normalmente.

Plano de contingência

Segundo o Metrô informou, o plano de contingência adotado utiliza toda a estrutura existente: a operacional, composta por supervisores e gerentes, e também o pessoal administrativo, em nível gerencial, que vai às estações vender bilhetes e auxiliar os usuários. "Trata-se de um grupo que está preparado para atuar nesses momentos", informou o Metrô. Porém, os engenheiros da empresa anunciaram que também estão em greve, em apoio aos metroviários.

O Metrô diz ainda que "quem opera os trens são pessoas qualificadas, que trabalham na área de operação, ex-operadores, instrutores, monitores, pessoas que dão treinamento e que lidam com a operação".

TRT mantém liminar

Na noite de ontem, o Núcleo de Conciliação do Tribunal Regional do Trabalho manteve a liminar que determina a manutenção de 100% do funcionamento do Metrô nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e de 70% nos demais horários de operação. O descumprimento da ordem judicial culminará em aplicação de multa diária de R$ 100 mil. A desembargadora Rilma Aparecida Hemetério, vice-presidente do TRT, que presidiu a reunião, recomendou que o Sindicato dos Metroviários mantenha a cláusula de paz acertada durante as negociações.

Tags: confronto, confusão, greve, Metrô, paralisação

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