Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

País

Funcionários do hospital da USP entram em greve 

Portal Terra

Os trabalhadores do Hospital Universitário da USP (HU) decidiram entrar em greve a partir da próxima terça-feira, dia 10. A paralisação, definida em assembleia realizada na última quinta-feira, tem como alvo as políticas de gestão aplicadas pelo reitor Marco Antonio Zago que, segundo a categoria, culminarão no “sucateamento” da universidade. Professores e servidores da USP interromperam as atividades desde o dia 27 de maio. O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) afirma que 85% da instituição está totalmente parada.

Segundo Neli Maria Paschoareli Wada, diretora do Sintusp, a categoria reivindica o fim do arrocho salarial, reajuste de 9,78% nos rendimentos, melhoria nas condições de trabalho, contratação imediata de médicos e funcionários, mais verbas para a educação e jornada de 30 horas semanais sem redução salarial. A gestora afirma que há setores que cumprem entre 36 e 40 horas semanais, atualmente. Neli acrescentou ainda que todas as cobranças dos trabalhadores têm como um de seus objetivos principais a melhoria na qualidade do atendimento à população.

Os funcionários se posicionam também contra a autarquização dos hospitais universitários. De acordo com Neli, o desmembramento na administração permite que algumas unidades sejam geridas por até duas entidades diferentes, dificultando o andamento do trabalho. A intensificação da terceirização está entre as desvantagens apontadas no sistema de separação.

A diretora do Sintusp também citou a crescente demanda recebida pelos hospitais universitários. Neli afirma que, em São Paulo, a prefeitura não consegue dar conta da assistência primária à população e a carga recai sobre o HU. “Temos unidades de saúde com fila de 800 mulheres para fazer Papanicolau, por exemplo. Não há estrutura para atender a essa demanda, que não deveria ser só nossa”, relatou.  “Hoje, 60% do atendimento do HU é primário e 40% são casos de alta complexidade”, explicou.

Quanto às condições de trabalho, Neli disse que o prédio do Hospital Universitário está em situação alarmante. “O teto do centro cirúrgico está caindo, o da UTI também, e o sistema de circulação de ar é precário”, afirmou. “Queremos, junto com a população, pressionar o governo do Estado e o governo municipal por maior atenção à saúde pública”, finalizou.

Procurado pelo Terra, o Conselho de reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp) não se posicionou, especificamente, sobre a paralisação no hospital. O Cruesp reafirmou o que havia sido divulgado nesta sexta-feira em um comunicado,  que promete o agendamento de uma reunião com o Fórum das Seis (que congrega as entidades representativas de professores e funcionários da USP, Unesp e Unicamp), “desde que não haja obstruções e invasões (ocupações) em qualquer dependência das três Universidades, que impeçam o acesso de servidores (docentes e técnico-administrativos) e dos alunos às suas atividades normais”.

O Sintusp considerou a resposta insuficiente quanto a datas para reabertura das negociações e afirmou que no dia 10, início da greve, um grande ato conjunto entre as três universidades será realizado a partir das 12h, em frente ao Conselho Universitário da USP. 

Tags: paralisação, são paulo, servidores, unidade, universidade

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