Jornal do Brasil

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

País

Audiência entre Metrô e metroviários de SP termina sem acordo

Pela manhã, houve tumulto na Estação Itaquera. Dilma condenou a violência

Porvir

Terminou sem acordo a audiência de conciliação entre a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e o Sindicato dos Metroviários, pelo fim da greve iniciada nesta quinta-feira. A reunião entre as partes aconteceu no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, na região central da capital.

O Metrô recusou negociar o índice de reposição salarial pleiteado pela categoria (de 12,2%) e manteve os 8,7% propostos na audiência de desta quarta-feira, que, levada à assembléia dos funcionários, acabou deflagrando a greve desta quinta-feira.

Na audiência, os representantes da empresa também rejeitaram liberar as catracas para o público, nesta sexta-feira, em troca do não pagamento do dia de serviço aos trabalhadores do sistema. O Metrô alega que não pode renunciar a recurso público - no caso, à receita diária de R$ 5,5 milhões.

Registro mostra usuários passando pela catraca supostamente sem pagar a tarifa
Registro mostra usuários passando pela catraca supostamente sem pagar a tarifa

Com greve, usuários fazem 'catraca livre' em estação de SP

O Movimento Passe Livre São Paulo, por meio de imagens publicadas nas redes sociais, condenou a abertura da Linha Lilás do Metrô na manhã desta quinta-feira. Segundo o grupo, com a greve dos metroviários, deflagrada no início da madrugada, a maioria das estações amanheceu fechada. 

Porém, a estação Capão Redondo foi aberta por volta das 6h. Sem segurança, muitos passageiros exerceram a chamada "catraca livre". Isso significa que alguns usuários viajaram sem o pagamento de passagem porque pulavam por cima da catraca ou passavam por baixo das catracas. Isso teria ocorrido durante uma hora, segundo o movimento. A situação só teria sido interrompida por volta das 7h, quando policias militares teriam ocupado a estação, impedindo que os passageiros continuassem pulando as catracas.

Segundo a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), a Linha Lilás operou normalmente desde as 5h20 desta quinta-feira. A Companhia desconhece que passageiros tenham acessado o metrô sem o pagamento de passagem.

Para Dilma, tumulto na greve no metrô em SP é "lamentável"

A presidente Dilma Rousseff classificou como "lamentável" o quebra-quebra promovido  por parte dos passageiros revoltados com a greve dos metroviários em São Paulo nesta manhã. Por volta das 7h, usuários ficaram revoltados com o fechamento de toda a estação Corinthians-Itaquera e quebraram as grades para entrar na área de embarque dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Além do metrô, as portas da estação da CPTM, que deveriam funcionar normalmente, foram fechadas por medida de segurança. 

Essa estação de metrô é a mesma que atende aos usuários que se dirigem à Arena Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo, marcada para a semana que vem em partida entre Brasil x Croácia. Indagada por jornalistas sobre a avaliação que fazia sobre o ocorrido, a presidente limitou-se a dizer: “lamentável, lamentável”.

Usuários reclamaram de não ter sido informados sobre o fechamento do acesso à CPTM, que ocorreu no início da manhã. A companhia informou que a medida foi para garantir a segurança dos passageiros, já que alguns teriam invadido a área do metrô. Ainda, segundo funcionários, as instalações pertencem ao metrô, embora a CPTM utilize a mesma estação.

A greve dos metroviários de São Paulo, iniciada à 0h desta quinta-feira, fez com que a capital paulista registrasse nesta manhã o maior congestionamento do ano para o horário. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 9h30, havia 209 quilômetros de lentidão em toda a cidade, que bateu o recorde de trânsito para o período da manhã.

Além da greve dos metroviários, os paulistanos também são afetados pela paralisação dos agentes da CET, que ocorre desde ontem. Em nota, a empresa informou que faria o “remanejamento da equipe para reforçar o efetivo em campo conforme a dimensão e conseqüência do impacto do movimento na operação do trânsito”.

Por causa da greve, a CET suspendeu o rodízio de veículos nesta quinta-feira, e a SPTrans acionou o Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese). As linhas que operam com destino às estações de metrô são estendidas e também há reforço de frota, com a criação de três linhas especiais para atender os passageiros da Linha 3-Vermelha, na zona leste.

Paralisação do metrô

Apesar da decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que, na quarta-feira, concedeu liminar que determina a manutenção de 100% do funcionamento do Metrô nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e de 70% nos demais horários de operação nesta quinta-feira, três das cinco linhas foram paralisadas no início desta manhã, por conta da greve dos metroviários paulistas.

De acordo com a Companhia do Metropolitano, por conta da paralisação, os trens das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha não circulavam no início da manhã. Apenas as linhas 4-Amarela e 5-Lilás operavam normalmente. Os trens da 5-Lilás iniciaram o dia parados, mas por volta das 5h30, segundo o Metrô, começaram a circular. Às 6h28, o Metrô informou que as Linhas 1, 2 e 3 passaram a operar parcialmente, mas as portas continuavam fechadas em muitas das estações. 

Tags: Estação, metroviários, paralisação, Transportes, tumultos

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