Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

País

Venda de ingressos para a Copa causa tumulto no Rio e São Paulo

Venda de ingressos para as partidas de abertura e final da Copa esgotou em 1 hora 

Jornal do Brasil

A venda do lote extra de 180 mil ingressos para os 64 jogos da Copa do Mundo que a Fifa abriu à meia-noite na internet desta quarta-feira (4) foi encerrada durante a madrugada, com a frustração para a esmagadora maioria dos torcedores, que não conseguiram ingresso. As entradas para a disputa entre Brasil e Croácia, que vai abrir o Mundial no dia 12 de junho, no Itaquerão, em São Paulo e também para a partida final da Copa, que será disputada no dia 13 de julho, no Maracanã, Rio de Janeiro, esgotaram em menos de uma hora. Os torcedores reclamam da dificuldade de acessar o site da Fifa durante a madrugada e muitos deles se encaminharam para os postos de venda físicos, o que provocou gigantescas filas. No Rio de Janeiro e em São Paulo, os torcedores aguardavam nesses postos desde a noite de terça (3) e nos dois estados houve confusão e protestos de grupos de pessoas que não conseguiram adquirir as entradas para a Copa.

Esgotaram também os ingressos para os jogos da seleção brasileira na primeira fase e para os jogos de mata-mata, além da entradas para todas as disputas no Itaquerão e no Maracanã. Os ingressos para dois jogos da primeira fase que serão disputados na Fonte Nova, em Salvador já não estão mais à venda, assim como para a partida entre Espanha e Holanda, no dia 13, e Alemanha e Portugal, no dia 16.

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No Rio de Janeiro, desde o fim da noite desta terça (3) uma longa fila se formou em frente a sede do Botafogo, na Zona Sul da cidade. Mas por volta das 6h desta quarta (4), representantes da Fifa informaram que os ingressos das principais partidas já estavam esgotados pela venda online, no site da Fifa.com. Houve um grande tumulto e os torcedores gritavam palavras de ordem e ofensas contra a Fifa. Um dos agentes da Fifa chegou a ser cercado por manifestantes que cobravam explicações. A Polícia Militar foi chamada para a área.

Com a ausência de qualquer representante da Fifa, a fila no Rio foi organizada pelo próprios torcedores, que fizeram uma lista com os nomes das pessoas na ordem de chegada durante a madrugada. A listagem seria para orientar os representantes da Fifa na hora da abertura do Centro de Ingressos, já que a entidade não disponibilizou senhas ou qualquer equipe para organizar a chegada dos torcedores. 

Confusão na fila para compra de ingressos no Rio
Confusão na fila para compra de ingressos no Rio

O Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista, também amanheceu tomado por torcedores que estavam na esperança de comprar os ingressos para a Copa. Assim como aconteceu no Rio de Janeiro, quando os agentes da Fifa só apareceram para comunicar por megafone que as entradas estavam esgotadas para as partidas mais importantes, houve confusão e muito xingamento. Centenas de pessoas invadiram o estádio e teve muita correria no local. 

Por volta das 10h, um grupo grande de pessoas que aguardava a abertura da segunda rodada de venda dos ingressos entrou em confronto para pegar as primeiras posições na fila. A Fifa não disponibilizou agentes para organizar as filas e houve distribuição de senha para as pessoas que chegavam ao posto de venda. A Polícia Militar teve que intervir para dispersar os torcedores que chegaram à agressão física. Quem passou a madrugada na fila reclamou da "bagunça" e "desorganização" da Fifa e estava revoltado com a falta de informação e cuidado com a população pela organização do Mundial. 

Doze pontos físicos de venda estão funcionando nas cidades-sedes da Copa, desde às 9h desta quarta (4). Os torcedores podem comparecer nos seguintes postos: em Belo Horizonte, no Boulevard Shopping, na Avenida dos Andradas, 3.000, Santa Efigênia; em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães: SDC Eixo Monumental, Lote 05; em Cuiabá, Shopping Pantanal, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, 3300, Jardim Aclimação; em Curitiba, no Patio Batel Shopping, Avenida do Batel, 1.868, Batel; em Fortaleza, Centro de Eventos do Ceará, Avenida Washington Soares nº 999, Portão E, Edson Queiroz; em Manaus, Centro Cultural dos Povos da Amazônia, Praça Francisco Pereira da Silva, s/n°; em Natal, Shopping Cidade Jardim, Avenida Eng. Roberto Freire, 2920, Capim Macio; em Porto Alegre, Barra Shopping Sul, Avenida Diário de Notícias, 300, Cristal; no Recife, Shopping Recife, Rua Padre Carapuceiro, 777, Edifício Garagem B1, Boa Viagem; no Rio de Janeiro, Casarão General Severiano, Avenida Venceslau Brás, 72, Botafogo; em Salvador, Iguatemi Shopping, Avenida Tancredo Neves, 148, Estacionamento I-1 e em São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera, quadra Lateral, Rua Manoel da Nóbrega, 1361, Paraíso.

Torcedor fica sem ingresso e Jerôme Valcke toma vinho de R$ 15 mil no Rio

Em um dos seus comentários sobre o país que vai sediar a Copa do Mundo de 2014, o secretário-Geral da Fifa, Jerôme Valcke, afirmou que o Brasil está mais preocupado em ganhar a taça do que em organizar a Copa. No entanto, os episódios inusitados que aconteceram durante a madrugada desta quarta-feira (4) logo após a abertura das vendas dos ingressos para as partidas do mundial, pela internet e em postos físicos, provaram de que lado a desordem está partindo. 

Torcedores no Rio e São Paulo se consideram desrespeitados pela Fifa e reclamam da "bagunça" e "total desorganização" da entidade, após passarem uma madrugada aguardando a abertura de bilhetes que já estavam esgotados pela venda online. Os próprios torcedores, no Rio, organizaram a fila nas primeiras horas da madrugada, na falta de agentes da Fifa para fazer esse serviço. Já em São Paulo, a falta de organização da entidade, que também não tinha funcionários disponíveis para dar informações às pessoas e nem distribuir senhas, resultou em corre-corre e pancadaria no Ginásio Ibirapuera.     

No domingo passado (1), o jornal britânico Sunday Times publicou documentos evidenciando negociações obscuras entre Mohamed Bin Hammam, ex-presidente da Confederação Asiática do Futebol e membro do Comitê do Catar para a Copa, e a Fifa. Os documentos mostram que o representante da associação nacional pagou 3 milhões de euros (R$ 11,3 milhões) em subornos a dirigentes da Fifa para contar com seus votos na eleição para sede do Mundial-2022. As provas foram apresentadas ao promotor Michael Garcia, chefe do Comitê de Ética da Fifa, que vai apurar as denúncias.

No Brasil, uma coluna de jornal publicou que Valcke gastou R$ 15 mil, ou cerca de US$ 7 mil, com uma garrafa de vinho em um restaurante da Zona Sul do Rio de Janeiro. O Ministério do Trabalho, o Banco Central, o Ministério Público e a Receita Federal deveriam explicar qual a condição de trabalho desses empregados da Fifa, como é o caso dos senhores Joseph Blatter e Jerôme Valcke, que lhe permite gastar este valor numa simples garrafa de vinho. Isso, se tomasse apenas o vinho. Nesse restaurante, um jantar não sai por menos de US$ 500. Acompanhado de mais cinco pessoas, o jantar deve ter custado, entre vinho e comida, cerca de US$ 20 mil.

Se em uma noite Jerôme Valcke pode gastar todo esse dinheiro, qual deve estar sendo o custo desse senhor no Brasil, onde já está há mais de 60 dias com a mulher, uma filha de 3 meses, uma outra de 3 anos, e um filho de 23 anos. Qual será o custo dessa família no país? Eles estão trabalhando? Entraram com autorização do Ministério do Trabalho? Estão recolhendo impostos? 

Querem saber o por que das passeatas? Ainda querem perguntar quem são os criminosos? Os que fazem as passeatas ou os que são a razão das passeatas?

E ainda não estamos falando do superfaturamento dos estádios nem do recente escândalo, revelado agora, sobre o esquema de compra de votos para a escolha do Catar como sede da Copa em 2022.

No fim de semana, o Jornal do Brasil também publicou uma entrevista com o jornalista britânico Andrew Jennings, autor do livro “Um jogo cada vez mais sujo”, que dá detalhes das transações ilegais que enriqueceram os representantes das maiores instituições ligadas ao Futebol, incluindo os nomes dos brasileiros Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e João Havelange, ex-presidente da Fifa. 

Ao mesmo tempo que torcedores se frustam em longas filas na esperança de realizar o sonho de assistir um jogo da Copa, dirigentes da Fifa ostentam uma rotina luxuosa nas próprias cidade-sede brasileiras. E a organização das manifestações vão tomando força através da redes sociais, exaltando o superfaturamento dos estádios e os recentes escândalos.

Internautas reclamam e fazem piadas das vendas dos ingressos no Fifa.com

Enquanto uma fila virtual se formava no site Fifa.com para compra de ingressos para a Copa, durante a madrugada desta quarta (4), reclamações e chacotas circulavam pelas redes sociais. No perfil #ingressoscopa do Twitter, internautas trocavam informações e afirmavam que era "mais fácil ganhar na loteria do que conseguir comprar um ingresso". A maioria das postagens era sobre a dificuldade em acessar o Fifa.com e da precariedade na prestação do serviço.

"Pior que ver o povo desinformado passando a noite na fila da FIFA, é ver a revolta em ter acabado os ingressos pela manhã", dizia uma das postagens no Twitter. Já no Facebook, após as vendas online pela Fifa era possível encontrar ofertas de ingressos para partidas que já estavam esgotadas. Em um perfil identificado como Ingressos Copa do Mundo, o administrador oferecia ingressos para a disputa entre a Argentina e Bósnia. "Ingressos para os jogos da copa do mundo aqui no rio argentina x Bósnia, interessados só deixar recado.", diz a postagem.

Tags: brasil, Copa, Fifa, maracanã, Site

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