Jornal do Brasil

Sábado, 1 de Novembro de 2014

País

TST condena oito bancos por abuso de ações contra greve 

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro

Depois de uma discussão judicial iniciada há oito anos, a 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por maioria - vencida a ministra Delaíde Miranda Arantes - condenou oito bancos a pagar indenização por dano moral coletivo por abuso de direito na utilização de ações judiciais (interditos proibitórios), com o objetivo de inviabilizar movimentos grevistas em Belo Horizonte (MG).

No caso, os bancos impetraram 21 ações, tendo como base a defesa da posse dos estabelecimentos bancários durante as greves, a fim de garantir "a liberdade de ir e vir aos empregados e clientes". A indenização fixada é de R$ 50 mil por cada uma dessas ações, totalizando mais de R$ 1 milhão, em favor do sindicato da classe.

Os bancos condenados foram os seguintes: ABN AMRO Real S.A., Santander Banespa S.A., Itaú S.A., União de Bancos Brasileiros S.A. - UNIBANCO, Mercantil do Brasil S.A., Bradesco S.A., HSBC Bank Brasil S.A. - Banco Múltiplo e Safra S.A.

O processo

O processo começou com uma ação civil pública ajuizada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região em 2006, englobando ações ajuizadas pelas instituições financeiras em 2005 e 2006. Para o ministro Vieira de Mello, redator do acórdão do julgamento no TST, ocorrido no fim do mês passado, utilizar ações judicias, partindo-se da presunção de abusos a serem cometidos pelos grevistas, atenta contra os princípios concernentes ao direito de greve e configura "conduta antissindical".

O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) tinha mantido a decisão da primeira instância que não acolheu o pedido de indenização do sindicato. De acordo com o TRT, embora seja o direito de greve um instrumento legítimo de pressão, garantido pela Constituição, os bancos, como todos, têm direito ao acesso à Justiça, inclusive de modo preventivo. "Na hipótese, buscou-se garantir o pleno exercício do direito de posse, o funcionamento do sistema financeiro, o resguardo ao direito de clientes e usuários e o direito dos trabalhadores que voluntariamente decidiram não aderir à greve", concluiu o TRT.

No entanto, conforme o entendimento da maioria que julgou o recurso no TST, ainda que os interditos proibitórios impetrados pelos réus tivessem aspecto de regular exercício do direito pela obtenção da concessão de liminares favoráveis, essas decisões não são capazes de "transfigurar" seu caráter antissindical. "A intenção por trás da propositura dos interditos era única e exclusivamente de fragilizar o movimento grevista e dificultar a legítima persuasão por meio de piquetes", assinala o acórdão.

Para o ministro Vieira de Mello, o abuso de direito está configurado na pretensão de acionar "o aparato do Estado para coibir o exercício de um direito fundamental, o direito dos trabalhadores decidirem como, por que e onde realizar greve e persuadirem seus companheiros a aderirem o movimento".

Portanto, utilizar de ações judicias, na forma realizada pelos réus, em que se partiu da "presunção de abusos a serem cometidos pelos grevistas", requisito particular do instituto do interdito proibitório, "atenta contra os princípios concernentes ao direito de greve".

Tags: bancos, condenação, superior, Trabalho, Tribunal

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