Jornal do Brasil

Sábado, 29 de Novembro de 2014

País

El País: Presidenciáveis se fecham para debates sobre aborto e maconha

Jornal espanhol afirma que candidatos dificilmente mudarão políticas relacionadas a estes temas

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O jornal espanhol El País publicou uma matéria na última quarta-feira (28) afirmando que os candidatos à Presidência Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos não pretendem tocar em temas polêmicos, como a descriminzalização do aborto e das drogas e a redução da maioridade penal. 

A reportagem lembra que quando Dilma ainda era ministra do governo Lula, afirmou ser favorável à descriminalização do aborto em uma entrevista à Folha de S. Paulo. Quando se candidatou em 2010, entretanto, recebeu uma série de críticas e voltou atrás. Para a doutora em ciências sociais e presidente da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, Maria José Ronaldo Nunes, esta questão não é discutida pelo risco de perder apoio popular, já que vivemos em um país com maioria católica e grande número de evangélicos, e apoio no Congresso. “O governo silencia sobre a questão do aborto porque essa é a garantia da fidelidade de sua bancada”, ela disse ao jornal. A publicação informa que Aécio e Campos também já declararam serem a favor da legislação atual. 

O texto destaca que, no caso da descriminalização das drogas, o único que se posiciona radicalmente sobre o assunto é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a favor da descriminalização da maconha. Aécio já admitiu ter utilizado a droga, mas afirmou que "não gostaria de ver o Brasil como cobaia de uma experiência que não se sabe o resultado". Campos, por sua vez, defendeu: "Num país que vive uma epidemia do crack, a questão da droga não é se legaliza ou não a maconha. A questão é que a gente aumente o efetivo da Polícia Federal, que tomem conta das nossas fronteiras". Já a presidente Dilma nunca foi explícita sobre o tema. 

“Os candidatos costumam ter posições parecidas pois eles sabem que, no Brasil, quando se discute aborto ou drogas podem perder terreno”, apontou à matéria do El País o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Sobre a liberação no Uruguai de pequenas quantidades de maconha aos usuários e ao debate mais aberto no Chile, Couto afirma: “Ambas as sociedades têm um nível de escolaridade superior ao do nosso país e consegue dissociar as questões religiosas e cosmológicas das questões de saúde pública”.

Tags: aborto, candidatos, drogas, Eleições, Legalização, maconha, presidência

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