Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

País

Manifestantes dão abraço simbólico na Petrobras e pedem punição dos corruptos

Agência Brasil

Representantes de entidades de trabalhadores ligadas à Petrobras e de movimentos sociais deram hoje (28) um abraço simbólico no edifício-sede da estatal, na Avenida Chile, centro do Rio de Janeiro, exigindo a punição de funcionários corruptos e defendendo a empresa que, nesses 60 anos de existência, “tem desempenhado papel central no desenvolvimento do país”, de acordo com o manifesto distribuído durante o ato.

O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, manifestou, em entrevista à Agência Brasil, sua posição contrária à destruição do nome da Petrobras: “Nós somos a favor de que se puna os culpados de delitos e irregularidades. Agora, desfazer da Petrobras, maior empresa nacional, não. A gente não pode permitir que pessoas usem política partidária e delitos ocorridos para denegrir a Petrobras. Isso se chama aproveitar delitos e tirar partido eleitoral, tentando sujar o nome de uma empresa como a Petrobras”.

Roberto Ribeiro, diretor da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), ressaltou que o abraço simbolizava o movimento de defesa do patrimônio da Petrobras, que pertence ao povo brasileiro. Ele disse que a FNP  e o  Sindipetro-RJ “não vão compactuar com a corrupção, seja lá quem for o corrupto – diretor, gerente, funcionário-, não importa em que escalão esteja, nem a que partido político pertença, porque nós queremos, de fato, que seja apurada toda denúncia que vem sendo veiculada na mídia”.

Ribeiro não tem dúvida, por se tratar de um ano eleitoral, que outras denúncias serão feitas até o final do ano, não só em relação à Petrobras, mas a outras empresas. “O que nós queremos", acrescentou, "é que os fatos sejam apurados, e se ficar comprovada a culpa, que [o culpado] vá para a cadeia. O nosso objetivo aqui é a defesa da Petrobras e do patrimônio nacional. Queremos uma empresa pública, estatal, comandada  pelos brasileiros, pelos trabalhadores”. Segundo informou a assessoria de imprensa da estatal, o sistema Petrobras fechou o ano passado com 86.111 empregados, sem computar trabalhadores terceirizados.

Para o diretor da Federação Nacional das Associações de Aposentados, Pensionistas e Anistiados do Sistema  Petrobras e Petros (Fenaspe), Paulo Brandão, a empresa não pode ser atacada no lugar dos corruptos, “que estão dentro da instituição”. Ele defende que se apure os fatos com rigor e se punam os culpados. “Os que foram colocados dentro da empresa: corruptos e seus corruptores. O objetivo é livrar o Brasil da corrupção e defender a soberania nacional; é abraçar a Petrobras e mostrar ao povo que ela tem que ser defendida”, ressaltou.

O secretário-geral do Sindipetro-RJ  e da FNP, Emanuel Cancella, reforçou que a vontade expressa dos milhares de trabalhadores petroleiros é que “todos os corruptos dentro da Petrobras têm de ir para a cadeia”. Ele considerou estranho que a sociedade saiba o nome do ex-diretor acusado de corrupção (Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Área de Abastecimento da Petrobras), mas não saiba qual é o nome da empresa que o corrompeu. “Nós não temos nenhum compromisso com os corruptos, mas queremos os corruptos e seus corruptores na cadeia”, sustentou.

Segundo Cancella, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) convocada às vésperas da eleição para apurar irregularidades na Petrobras “é muito suspeita”, uma vez que a denúncia  que motivou a CPI, envolvendo a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi feita há dois anos, pelo conselheiro eleito pelos trabalhadores para o Conselho de Administração da empresa, Silvio Sinedino, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet). Cancella salientou que a empresa, após 40 anos, voltou a construir refinarias, três das quais no Nordeste: Pernambuco, Maranhão e Ceará. “É a Petrobras, mais uma vez, contribuindo para melhorar a renda e gerar emprego neste país”.

Silvio Sinedino está convencido que a convocação da CPI tem um fundo político-eleitoreiro porque, “se isso tinha alguma relevância, tinha de ser tratado há dois anos”. Avaliou que tanto o governo como a direção da Petrobras não se pronunciaram à época porque “deviam ter os seus motivos”. Em relação à oposição, indicou que “ficou quietinha, esperta oportunisticamente, esperando chegar a eleição para ter um trunfo no bolso. Agora, sai como se fosse uma novidade”, criticou.

Sinedino disse que na época da compra de Pasadena, quando foi eleito pela primeira vez conselheiro da Petrobras, comentou-se entre os membros a existência de uma carta da estatal para a sócia belga [Astra] na refinaria, na qual a empresa brasileira propunha que faria sozinha a reforma daquela unidade. “Isso  passou no Conselho de Administração. Mas tinha uma segunda parte da carta que não passou pelo conselho e garantia para o sócio 6,9% de rentabilidade. Isso eu não garanto nem para minha mãe. Isso  é um absurdo”.

A luta agora, de acordo com Sinedino, é para que essas irregularidades não se repitam, nem na Petrobras nem em qualquer outra empresa. Defende, portanto, que se averigue quem foram as pessoas que colocaram funcionários corruptos na Petrobras. “Se Paulo Roberto [da Costa] é culpado, ele não está sozinho. Pode cavar que tem uma turma junto”, sentenciou.

 

Tags: Atos, Centro, estatal, protesto, Rio

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