Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

País

Foster isenta Dilma de responsabilidade na compra de Pasadena

Presidente da Petrobras reafirmou que a refinaria nos EUA não foi um bom negócio

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A exemplo do que havia feito o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, e o ex-diretor da área de negócios internacionais da petrolífera Nestor Cerveró, a atual presidente da estatal, Graça Foster, isentou de responsabilidade a presidente Dilma Rousseff pela decisão de compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Na época do negócio, em 2006, Dilma era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho de Administração da Petrobras. A transação é alvo de investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) devido a suspeitas de irregularidades.

"A responsabilidade é da diretoria que fez apresentação ao Conselho de Administração. Nos dois casos, houve responsabilidade do colegiado", afirmou Graça Foster na CPI da Petrobras no Senado.

Logo que as suspeitas de irregularidades foram levantadas pela imprensa, Dilma soltou nota alegando que a decisão da compra foi feita com base num documento falho, que omitira duas cláusulas importantes previstas no contrato: Marlim e Put Option.

O documento foi elaborado por Nestor Cerveró, que disse à CPI que o negócio seria fechado de qualquer forma. Graça Foster discordou. Para ela, se o Conselho de Administração tivesse sido informado, "haveria uma boa discussão" sobre o assunto e talvez a transação não tivesse sido realizada.

A Put Option determinava que, em caso de desacordo entre os sócios, a outra parte seria obrigada a adquirir o restante das ações. A Marlim garantia à Astra Oil, sócia da Petrobras, um lucro de 6,9% ao ano.

Foster voltou a dizer que a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), da empresa belga Astra Oil, não foi um bom negócio e que hoje a estatal brasileira não compraria a planta.

"À luz da situação atual, os números mostram que não foi um bom negócio. Num futuro próximo é possível que haja melhorias, mas hoje, com a decisão do refino no Brasil, com a descoberta do pré-sal e com um mercado interno crescente, não é mais prioridade. Mas lá atrás em 2006, foi considerado [um negócio] potencialmente bom", afirmou.

Graça Foster apresentou também avaliação de analistas independentes que consideraram positiva a compra de Pasadena na época e afirmou que o desempenho recente da unidade é bom.

Segundo ela, o que despertou o interesse da estatal brasileira na refinaria era a necessidade de se buscar refino no exterior, na sua avaliação, estar nos Estados Unidos era fundamental.

A presidente da Petrobras negou novamente a informação de que a refinaria teria custado à Astra apenas US$ 42,5 milhões. Ela estimou que entre o valor da compra e os investimentos antes da venda à estatal brasileira, a empresa belga desembolsou o total de US$ 360 milhões.

Com Agência Senado

Tags: comissão, estatal, inquérito, parlamentar, Petróleo

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