Jornal do Brasil

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

País

General nega envolvimento na morte de Rubens Paiva 

Portal Terra

Um depoimento gravado no dia 14 de janeiro, do general reformado José Antônio Nogueira Belham, 79 anos, que comandou o DOI-Codi no Rio entre 1970 e 1971, foi entregue pelo Ministério Público Federal à Justiça do Rio. Nele, o militar nega mais uma vez ter qualquer participação na morte do ex-deputado federal Rubens Paiva e disse desconhecer que houvesse tortura nas instalações do centro de repressão que comandou. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

"Eles (os presos) tinham abertura total comigo (...). Nunca ninguém me relatou que havia sido torturado", disse o general aos procuradores Sérgio Suiama e Antônio Cabral. Preso em 20 de janeiro de 1971, Rubens Paiva morreu dois dais depois, após sessões de tortura em instalações da Aeronáutica e do Exército. Ele foi visto pela última vez no DOI-Codi.

Belham e outros quatro militares foram denunciados pelo Ministério Público sob acusação de envolvimento no caso. A denúncia contra o general está baseada no depoimento de dois militares, que disseram ter ido ao seu gabinete informar que um homem estava sendo torturado numa das salas do DOI-Codi pouco depois da detenção de Paiva.

Mesmo com as acusações, o general negou a veracidade dos fatos. “Em primeiro lugar, desconfio que esses depoimentos não existem. Em segundo lugar, vamos analisar o que ele falou: saíram e viram a porta aberta com alguém interrogando violentamente. Isso é um absurdo, ninguém faria isso com a porta aberta", disse .

Belham diz que estava em férias quando Paiva foi preso pelos militares. Porém, documentos que o próprio general apresentou à Comissão da Verdade, mostram que ele teve as férias suspensas por alguns dias, recebendo diárias para uma missão sigilosa. Em sua defesa, ele diz que houve um erro administrativo no documento.  

Tags: ditadura, Jornalista, MILITAR, morte, tortura

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.