Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

País

Mídia divulgou números falsos sobre o valor de Pasadena, diz Cerveró

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Ex-responsável pela área de negócios internacionais da Petrobras, Nestor Cerveró negou, em depoimento à CPI do Senado na manhã desta quinta-feira (22), que a refinaria de Pasadena fosse "sucata" ou "ferro-velho" quando foi adquirida pela petrolífera brasileira em 2006.

"O valor pago pela Astra Oil foi muito explorado pela mídia. Mas não foram US$ 48 milhões, como amplamente noticiado. Isso é totalmente irreal. A Astra teve que investir nessa unidade e para colocá-la em operação gastou US$ 360 milhões. Não era uma refinaria sucateada e não custou só 48 milhões", enfatizou.

Cerveró explicou que Pasadena pertencia a uma empresa americana tradicional na área de refino. Mas havia sérios problemas administrativos, trabalhistas e ambientais. "A Astra aproveitou a oportunidade, negociou, resolveu os problemas trabalhistas e ambientais, e ainda teve que investir numa unidade de processamento de gasolina para atender requisito de qualidade do mercado americano", explicou.

Segundo Nestor Cerveró, hoje, sete anos depois, Pasadena virou uma refinaria padrão e premiada nos Estados Unidos, o que é motivo de orgulho para a Petrobras.

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras confirmou também a afirmação do ex-presidente Sérgio Gabrielli, segundo a qual, em 2006, o planejamento estratégico da estatal apontava para a necessidade da compra de uma refinaria no exterior.

"Nosso plano apontava para a necessidade de expansão do refino fora do Brasil Havia produção crescente de petróleo pesado na Bacia de Campos. Aliado a isso, o mercado americano crescia em taxas elevadas", explicou.

O fator geográfico também foi importante, segundo o executivo, visto que a refinaria de Pasadena está perto de Houston e do Golfo do México, numa posição estratégica.

O ex-diretor da área internacional da empresa foi o autor do relatório que serviu de base para a aprovação dada pelo Conselho Administrativo da Petrobras à compra da refinaria de Pasadena, em 2006.

A negociação teve aval da presidente Dilma Rousseff, que, na época era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho. Depois das denúncias de que o negócio deu grande prejuízo à estatal, Dilma classificou o documento de carente de informações e "juridicamente falho".

A reunião da CPI não tem participação de integrantes da oposição. Eles apostam na comissão parlamentar mista, com instalação prevista para a próxima semana, que também deverá participação de deputados e onde terão representatividade maior. A CPI da Petrobras em funcionamento no Senado é composta de 13 senadores, sendo 10 da base aliada do governo.

Tags: comissão, estatal, inquérito, parlamentar, Petróleo

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