Jornal do Brasil

Terça-feira, 22 de Julho de 2014

País

Cerveró: Dilma não pode ser responsabilizada por compra de Pasadena

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A exemplo do que havia feito o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, o ex-diretor da área de negócios internacionais da petrolífera Nestor Cerveró isentou de responsabilidade a presidente Dilma Rousseff pela decisão de compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Na época do negócio, em 2006, Dilma era ministra da Casa Civil e estava à frente do Conselho de Administração da Petrobras.

"Dilma não foi a responsável, visto que as decisões [do Conselho] são colegiadas e geralmente aprovadas por unanimidade", afirmou.

Segundo ele, a responsabilidade pela decisão é de todos, e o negócio foi uma decisão acertada: "Todos nós somos responsáveis pela compra que, aliás, foi uma decisão acertada. Foi um acerto coletivo. Não quero me isentar de culpa. Pelo contrário, sou co-participante dessa decisão", explicou.

Nestor Cerveró é o segundo a prestar depoimento à comissão de inquérito formada no Senado para investigar denúncias de irregularidades em negócios da Petrobras. Uma dessas denúncias refere-se ao suposto prejuízo da estatal brasileira na compra da refinaria de Pasadena da empresa belga Astra Oil.

Cerveró também negou que a refinaria de Pasadena fosse "sucata" ou "ferro-velho" quando foi adquirida pela petrolífera brasileira em 2006.

"O valor pago pela Astra Oil foi muito explorado pela mídia. Mas não foram US$ 48 milhões, como amplamente noticiado. Isso é totalmente irreal. A Astra teve que investir nessa unidade e para colocá-la em operação gastou US$ 360 milhões. Não era uma refinaria sucateada e não custou só 48 milhões", enfatizou.

Cerveró explicou que Pasadena pertencia a uma empresa americana tradicional na área de refino. Mas havia sérios problemas administrativos, trabalhistas e ambientais. "A Astra aproveitou a oportunidade, negociou, resolveu os problemas trabalhistas e ambientais, e ainda teve que investir numa unidade de processamento de gasolina para atender requisito de qualidade do mercado americano", explicou.

Segundo Nestor Cerveró, hoje, sete anos depois, Pasadena virou uma refinaria padrão e premiada nos Estados Unidos, o que é motivo de orgulho para a Petrobras.

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras confirmou também a afirmação do ex-presidente Sérgio Gabrielli, segundo a qual, em 2006, o planejamento estratégico da estatal apontava para a necessidade da compra de uma refinaria no exterior.

"Nosso plano apontava para a necessidade de expansão do refino fora do Brasil Havia produção crescente de petróleo pesado na Bacia de Campos. Aliado a isso, o mercado americano crescia em taxas elevadas", explicou.

O fator geográfico também foi importante, segundo o executivo, visto que a refinaria de Pasadena está perto de Houston e do Golfo do México, numa posição estratégica.

O ex-diretor da área internacional da empresa foi o autor do relatório que serviu de base para a aprovação dada pelo Conselho Administrativo da Petrobras à compra da refinaria de Pasadena, em 2006.

A negociação teve aval da presidente Dilma Rousseff, que, na época era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho. Depois das denúncias de que o negócio deu grande prejuízo à estatal, Dilma classificou o documento de carente de informações e "juridicamente falho".

A reunião da CPI não tem participação de integrantes da oposição. Eles apostam na comissão parlamentar mista, com instalação prevista para a próxima semana, que também deverá participação de deputados e onde terão representatividade maior. A CPI da Petrobras em funcionamento no Senado é composta de 13 senadores, sendo 10 da base aliada do governo.

Tags: comissão, estatal, inquérito, parlamentar, Petróleo

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