Jornal do Brasil

Sábado, 30 de Agosto de 2014

País

Programa pode ajudar governo na construção de creches

Agência Brasil

Programa idealizado por participantes da segunda edição do Hackathon Dados Educacionais pode ajudar o governo a construir creches em áreas de maior necessidade. O instrumento mostra aos gestores públicos as áreas de maior carência de acordo com o nível de renda, de desemprego e de desenvolvimento humano. O chamado GeoEdu ficou em segundo lugar na competição. 

Dois integrantes do grupo, Rafael Rocha e Rafael Crespo, têm uma startup, empresa de inovação tecnológica, no Rio de Janeiro, onde trabalham com educação infantil. Eles se juntaram a Marcelo Reis, de São José dos Campos (SP). "Sabemos da necessidade de creches no Brasil. Uma criança não aprende, não tem desenvolvimento adequado para continuar os estudos, se enturmar, sem a educação infantil", explica Rocha.

Em todo o país, dados de 2011 mostram que o atendimento em creches chegava a 22,95% das crianças até 4 anos de idade. Segundo o Censo da Educação Básica, esse número correspondia a 2,3 milhões de crianças. Em 2013, a oferta aumentou em 500 mil vagas e o atendimento chegou a 2,7 milhões. Ainda assim, os problemas estão em todo o país. O atendimento terá que praticamente dobrar para atender à meta de 50% até 2020, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso Nacional.

Rocha explica ainda que além de mapear as regiões para os gestores, o programa oferece informações aos pais. Eles poderão acessar as creches que já existem e verificar a situação de cada uma. "Qualquer um vai poder entrar no site, fazer uma busca pela cidade, ver uma lista de creches e verificar se têm estrutura, se oferecem alimentação, berçário. A intenção é que a própria população use o instrumento para fazer pressão. Mostrar que quer melhores condições".

Os integrantes apresentaram um protótipo na maratona e ainda vão se reunir e decidir pela continuidade do projeto.

A segunda edição do Hackathon ocorreu no último fim de semana. Participaram 38 pessoas, entre programadores, desenvolvedores de sistemas, estudantes, professores e outros profissionais. Os projetos inscritos foram avaliados em relação ao interesse público da iniciativa, à criatividade, à qualidade técnica e à aplicabilidade no trabalho desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inpe). Os três primeiros colocados receberão bolsas da Fundação Lemman de R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente.

O primeiro lugar foi para a iniciativa Dados Abertos API. Trata-se de uma interface que vai facilitar o acesso aos dados do Inep. Luís Leão, um dos integrantes do grupo que criou o projeto, explica que atualmente para ter acesso aos microdados da Prova Brasil ou do Exame Nacional do Ensino Médio, por exemplo, é necessário baixar um arquivo pesado, descompactá-lo, instalar um programa e seguir um manual para conseguir visualizar os dados.

"A interface vai possibilitar o acesso online, sem precisar baixar os arquivos. Além disso, será possível atualizar os números sem precisar baixar novos arquivos", diz Leão. O API pode ser acessado na internet.

O terceiro lugar ficou com o Cultiveduca, voltado para a formação dos professores. Com o programa, é possível verificar por município a porcentagem de professores com ensino fundamental, ensino médio e ensino superior e pós completos. A intenção é orientar os gestores para a oferta de formação continuada. "O nosso objetivo é identificar onde estão os professores sem nenhuma formação continuada e aqueles que ainda não têm ensino superior completo. Até agora, é possível verificar por município. Pretendemos chegar a nível de escola", diz o integrante do grupo Breno Neves.

Tags: brasil, creche, educação, instalação, programa

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