Jornal do Brasil

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

País

Paralisação dos policiais civis tem adesão de 15 estados

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Policiais civis de 15 estados e do Distrito Federal aderiram nesta quarta-feira (21/5) o movimento de paralisação convocado pela Confederação Brasileira de Trabalhadores da Polícia Civil (Cobrapol), que revindica uma política nacional de segurança pública. Até às 12h, os estados do Amazonas, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins haviam anunciado a greve dos policiais civis. 

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, declarou na manhã desta quarta (21) que a greve é inconstitucional. "Força armada, seja ela policial ou militar, não podem fazer greve. Esse é um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), ouve dúvidas durante um período, mas esse é um entendimento que está cada vez mais sacramentado. Com certeza, policias que honraram e honram a constituição não ousarão desrespeitá-la", declarou o ministro. 

O presidente da Cobrapol, Jânio Bosco Gandra, lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou que, como por omissão do governo o direito de greve do servidor público, em especial dos policiais, não está regulamentado, deve-se usar por analogia a lei da iniciativa privada. “Porém, ressalto que o movimento de hoje não é greve. É uma paralisação de um dia apenas para cobrar do governo medidas efetivas para sanar os problemas da segurança pública”, declarou Gandra.

Em Brasília, haverá concentração dos policiais a partir das 14h, em frente à Biblioteca Nacional, na Esplanada dos Ministérios. Os sindicatos filiados à Cobrapol no Goiás, Pará e Santa Catarina enviaram delegações para participar do ato público. Segundo a Cobrapol, há possibilidade dos policiais federais e rodoviários federais também aderirem ao movimento.

Gandra destaca alguns pontos que motivaram a paralisação desta quarta (21). Para a categoria, há um caos na segurança pública no país e o setor precisa de melhorias urgentes. Segundo o sindicato, as estatísticas brasileiras revelam uma taxa de 27,4 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas. E o atual modelo de polícia precisa ser modernizado. As demandas da Cobrapol ressalta ainda que a maioria dos policiais não recebeu treinamento adequado para atuar na Copa do Mundo e as lideranças policiais sofrem perseguições constantes por parte do Governo. 

Apenas 30% dos policiais do Rio foram trabalhar. Assembleia vai definir os rumos do movimento no estado

Os policiais civis do Rio de Janeiro aderiram à paralisação de 24 horas nesta quarta-feira (21) e apenas 30% do efetivo dos 12 mil policiais que atuam em todo estado compareceram nas cerca de 200 delegacias, segundo os dados do sindicato regional da categoria - o Sindpol-RJ. Algumas delegacias estavam com as portas fechadas na parte da manhã e liberando a entrada apenas para os casos mais graves, como homicídios. As pessoas que chegavam para registrar pequenos furtos eram orientadas pelos policiais a retornar no dia seguinte. A reconstituição da morte do dançarino Douglas Rafael, marcada inicialmente para esta quarta (21), na comunidade do Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul, foi adiada para esta quinta (22).

Segundo o presidente do Sindpol-RJ, Francisco Chao, o efetivo de policiais que estavam trabalhando estavam registrando apenas os casos emergenciais, envolvendo violência e prisão em flagrante. Ele disse que as Divisões de Homicídio não vão deixar de investigar os casos de morte e de fazer atendimentos. "Estamos mantendo os serviços das DHs pois nos sensibilizamos com as famílias das vítimas", disse Chao.

O comando do sindicato informou também que os policiais em greve vão se reunir a partir das 14 horas desta quarta (21), na Cidade da Polícia, na Zona Norte, para discutir os temas da paralisação. Em seguida, a categoria caminha até o Clube Municipal da Tijuca, também na Zona Norte, onde vai acontecer uma assembleia-geral, a partir das 19 horas, para votar os rumos do movimento. Os grevistas reivindicam uma série de gratificação nos salários, além de implementação nos benefícios de alimentação e transporte. O tema mais enfatizado pelos policias é a melhoria da segurança pública no país.

Em nota, a chefia da Polícia Civil afirmou que mantém diálogo aberto com os representantes da categoria e que as negociações estão em andamento. O texto diz ainda que desde as primeiras horas desta quarta, a cúpula da instituição está reunida e fazendo o monitorando das delegacias - "para adotar as medidas necessárias ao bom atendimento à população", destaca a nota. Orienta ainda que através do Programa Hora Marcada, o cidadão pode pré-agendar o registro de ocorrência pela internet (www.policiacivil.rj.gov.br), exceto para os crimes de roubo de carro e homicídio. 

Tags: ato, Brasília, civis, greve, polícias, público

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