Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

País

Delegados da PF criticam "censura" do PGR e de ministro do STF 

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro

A Associação dos Delegados da Polícia Federal divulgou nota, nesta quarta-feira (21/5), na qual afirma que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, acolheu "estranho pedido" do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e "decidiu 'calar' a Polícia Federal", na "mais contundente violência sofrida pela instituição desde a redemocratização".

A manifestação da entidade dos policiais federais refere-se à deflagração, pela PF, nesta última terça-feira, da quinta fase da Operação Ararath, que apura "esquema milionário de desvio de recursos e lavagem de dinheiro, com uso de empresas de 'factoring'. Os principais envolvidos no esquema são investigados em inquérito sigiloso (Inq 3.842) aberto no STF, e que tem como relator o ministro Dias Toffoli.

A nota

A nota da Adpf lembra que a investigação, que começou em 2011, "apontou envolvimento de servidores dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, e também de membros do Ministério Público estadual".

E prossegue:

"Apesar da operação ter sido bem sucedida e dentro da normalidade, um fato, considerado inédito, causou grande perplexidade e indignação entre os Delegados da Polícia Federal.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, acatou um estranho pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e decidiu 'calar' a Polícia Federal. Para os delegados federais, essa foi a mais contundente violência sofrida pela instituição desde a redemocratização do Brasil.

A sociedade brasileira merece saber o que tornou tão singular a execução da quinta fase dessa operação com relação a tantas outras operações em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

Afinal, o que seria capaz de transformar o chefe do Ministério Público da União em um verdadeiro "Censor Geral da República". Também é preciso ficar mais claro, os reais motivos que levam um ministro da mais alta corte brasileira aceitar os argumentos do Ministério Público Federal, e impedir que a imprensa, seja devidamente informada sobre o trabalho da Polícia Federal, uma instituição respeitada e admirada por todos os brasileiros.

Assim, ao que parece, a 'lei da mordaça', tão combatida pelo próprio Ministério Público, passa a ser defensável quando a vítima é a Polícia Federal do Brasil, uma instituição republicana, que sempre busca desenvolver suas missões com seriedade, eficiência e transparência, independente de quem esteja envolvido, direta ou indiretamente, com o crime".

Tags: Críticas, delegados, federal, polícia, Supremo, toffolli

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