Jornal do Brasil

Terça-feira, 29 de Julho de 2014

País

Políticos e especuladores querem prejudicar a Petrobras, acusa Gabrielli

Jornal do Brasil

Em depoimento na CPI do Senado, nesta terça-feira, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli disse que especuladores e até políticos brasileiros teriam interesse em reduzir o poder da empresa, principalmente depois da descoberta do pré-sal, visto o importante papel da companhia no setor.

"A Petrobras, obrigatoriamente, vai ser a operadora única do pré-sal. Ou seja, vai ter que, no mínimo, participar com 30% dos investimentos futuros, e as outras empresas vão ter que trabalhar sob o comando dela. Evidentemente que isto criou muitas resistências, principalmente nas companhias internacionais. Já existem alguns vazamentos do WikiLeaks que mostram conversas entre políticos brasileiros e diplomatas americanos colocando de forma clara que a prioridade é desmontar essa lei que garante a Petrobras como operadora única do pré-sal brasileiro. São vazamentos, não sei se verdadeiros ou não, porque não dá para saber, mas são vazamentos de conversas entre certos políticos brasileiros e embaixadores e diplomatas americanos", disse Gabrielli, sem citar nomes.

Gabrielli, observado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo
Gabrielli, observado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo

Para Gabrielli, querem desqualificar a Petrobras, criando-se a falsa imagem de que a petrolífera está em crise. "Fala-se muito do endividamento; mas ele ocorre porque é uma das empresas que mais crescem no mundo.  Está tomando empréstimo para crescer. Produz hoje mais de 470 mil barris por dia no pré-sal, sete anos após a descoberta. Isso não aconteceu em outras partes do mundo. Como falar que a empresa é mal gerida e está em crise? Ao contrário, é pujante, está em crescimento e vai se tornar maior ainda do que já é", afirmou.

Gabrielli provocou ainda a oposição ao afirmar que antes de 2002, a companhia estava "condenada a morrer", devido à falta de investimento em setores estratégicos.

Custo total da refinaria de Pasadena foi de US$ 1,24 bilhão, diz Gabrielli

O depoimento do ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPi) do Senado que investiga irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos terminou por volta das 13h40. Gabrielli informou aos senadores que o custo total da negociação de Pasadena foi de US$ 1,24 bilhão. Desse total, US$ 554 milhões foram pagos pela refinaria, cuja capacidade é de processamento é de 100 mil barris diários.

"Dividindo o preço total pela capacidade, temos US$ 5.540 por barril de capacidade de refino. Isso, na época da aquisição, era abaixo da média de mercado",  destacou.

Além dos US$ 554 milhões, a Petrobras desembolsou US$ 340 milhões pela trading(empresa comercializadora) atrelada à refinaria. Somando juros e outras despesas, Gabrielli chegou ao valor de US$ 1,24 bi.

Segundo o executivo, a refinaria tem hoje 300 empregados e fatura em torno de US$ 5 bilhões por ano.

Gabrielli respondeu a cerca de 200 perguntas dos senadores da CPI. Nenhum senador da oposição compareceu à reunião, presidida pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

Dilma não foi responsável pela compra de Pasadena, diz ex-presidente da Petrobras

Ao explicar o processo de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, Sérgio Gabrielli disse que a presidente Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da companhia em 2006, não foi responsável pelo fechamento do negócio. Ele disse que foi uma decisão colegiada, tomada pelos conselheiros, de forma coletiva.

Confirmando a versão da atual presidente da Petrobras, Graça Foster, Gabrielli informou aos senadores que a compra foi feita com base num sumário executivo no qual não constavam quaisquer referências à cláusulas Marlim e Put Option, que integravam o contrato.

A cláusula Marlim garantia à empresa belga Astra Oil, sócia da Petrobras America Inc, rentabilidade mínima de 6,9% ao ano. A Put Option – ou opção de venda – obrigava a Petrobras a comprar a participação da Astra, em caso de conflito entre os sócios na condução do negócio.

A aquisição de 50% das ações de Pasadena foi autorizada pelo Conselho de Administração da estatal, em 3 de fevereiro de 2006, com base em resumo executivo elaborado pelo então diretor da Área Internacional, Nestor Cerveró.

Elogios

Gabrielli elogiou Dilma, a quem considerou "de extrema competência de de opinião firme". Mas ele disse que não saberia dizer qual teria sido a decisão final do conselho se eles soubessem da existência das cláusulas Marlim e Put Option.

"Naquela época as questões eram outras: Valeria a pena expandir o refino no exterior ou continuaríamos na Bolívia e Argentina? O preço era adequado? Era uma refinaria bem localizada? Essas eram as discussões na época. Evidentemente, hoje o cenário é outro", disse.

Gabrielli: Pasadena virou mau negócio em 2008, mas agora dá lucroo

Sérgio Gabrielli abriu seu depoimento à CPI que investiga supostas irregularidades na estatal justificando a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

Gabrieli disse que no momento da aquisição, em 2006, a compra foi um bom negócio. A partir de 2008, segundo ele, a aquisição passou a ser um mau negócio, diante da crise econômica mundial e da mudança do mercado de petróleo com a descoberta do gás de xisto em território americano. De acordo com o executivo, a situação mudou novamente em 2013 e, agora, trata-se de uma unidade lucrativa, graças principalmente à existência de óleo leve e barato no Texas para ser processado.

"Portanto, é uma refinaria potencialmente muito lucrativa. Além disso, pelos investimentos feitos pela Petrobras, foi premiada como a melhor refinaria dos Estados Unidos em segurança de trabalho e condições ambientais".

Segundo ele, em 2006, na época da compra, a análise feita pelo Conselho de Administração da Petrobras concluiu que seria necessário ampliar o parque de refino da empresa no exterior. Gabrielli disse ainda que o conselho não toma decisões operacionais, mas estratégicas.

Após uma exposição de pouco mais de 20 minutos, o ex-presidente da Petrobras respondeu a perguntas do relator José Pimentel (PT-CE).

Para Gabrielli, crise na Petrobras é 'campanha da oposição'

Antes de encerrar seu depoimento inicial à CPI da Petrobras na manhã desta terça-feira, o ex-presidente da empresa Sérgio Gabrielli saiu em defesa da estatal. Segundo ele, a petrolífera não pode ser considerada uma companhia em crise nem à beira da falência.

"Isso é campanha de oposição. Isso é luta política", afirmou Gabrielli, antes de começar a responder às dúvidas dos parlamentares.

Gabrielli ainda ressaltou que a Petrobras tem hoje 21 bilhões de barris de reserva e vale US$ 90 bilhões. O executivo presidiu a empresa entre 2005 e 2011, durante o governo Lula. A compra da refinaria de Pasadena foi feita em 2006.

O negócio nos Estados Unidos foi questionado porque a estatal brasileira pagou US$ 360 milhões por 50% por Pasadena, um valor bem superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira.

Tags: comissão, estatal, inquérito, parlamentar, Petróleo

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.