Jornal do Brasil

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

País

Custo total da refinaria de Pasadena foi de US$ 1,24 bilhão, diz Gabrielli

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Terminou por volta das 13h40 desta terça-feira o depoimento do ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPi) do Senado que investiga irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Gabrielli informou aos senadores que o custo total da negociação de Pasadena foi de US$ 1,24 bilhão. Desse total, US$ 554 milhões foram pagos pela refinaria, cuja capacidade é de processamento é de 100 mil barris diários.

"Dividindo o preço total pela capacidade, temos US$ 5.540 por barril de capacidade de refino. Isso, na época da aquisição, era abaixo da média de mercado",  destacou.

Além dos US$ 554 milhões, a Petrobras desembolsou US$ 340 milhões pela trading(empresa comercializadora) atrelada à refinaria. Somando juros e outras despesas, Gabrielli chegou ao valor de US$ 1,24 bi.

Gabrielli, observado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo
Gabrielli, observado pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo

Segundo o executivo, a refinaria tem hoje 300 empregados e fatura em torno de US$ 5 bilhões por ano.

Gabrielli respondeu a cerca de 200 perguntas dos senadores da CPI. Nenhum senador da oposição compareceu à reunião, presidida pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

Dilma não foi responsável pela compra de Pasadena, diz ex-presidente da Petrobras

Ao explicar o processo de compra da refinaria de Pasadena, no Texas, Sérgio Gabrielli disse que a presidente Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da companhia em 2006, não foi responsável pelo fechamento do negócio. Ele disse que foi uma decisão colegiada, tomada pelos conselheiros, de forma coletiva.

Confirmando a versão da atual presidente da Petrobras, Graça Foster, Gabrielli informou aos senadores que a compra foi feita com base num sumário executivo no qual não constavam quaisquer referências à cláusulas Marlim e Put Option, que integravam o contrato.

A cláusula Marlim garantia à empresa belga Astra Oil, sócia da Petrobras America Inc, rentabilidade mínima de 6,9% ao ano. A Put Option – ou opção de venda – obrigava a Petrobras a comprar a participação da Astra, em caso de conflito entre os sócios na condução do negócio.

A aquisição de 50% das ações de Pasadena foi autorizada pelo Conselho de Administração da estatal, em 3 de fevereiro de 2006, com base em resumo executivo elaborado pelo então diretor da Área Internacional, Nestor Cerveró.

Elogios

Gabrielli elogiou Dilma, a quem considerou "de extrema competência de de opinião firme". Mas ele disse que não saberia dizer qual teria sido a decisão final do conselho se eles soubessem da existência das cláusulas Marlim e Put Option.

"Naquela época as questões eram outras: Valeria a pena expandir o refino no exterior ou continuaríamos na Bolívia e Argentina? O preço era adequado? Era uma refinaria bem localizada? Essas eram as discussões na época. Evidentemente, hoje o cenário é outro", disse.

Gabrielli: Pasadena virou mau negócio em 2008, mas agora dá lucroo

Sérgio Gabrielli abriu seu depoimento à CPI que investiga supostas irregularidades na estatal justificando a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

Gabrieli disse que no momento da aquisição, em 2006, a compra foi um bom negócio. A partir de 2008, segundo ele, a aquisição passou a ser um mau negócio, diante da crise econômica mundial e da mudança do mercado de petróleo com a descoberta do gás de xisto em território americano. De acordo com o executivo, a situação mudou novamente em 2013 e, agora, trata-se de uma unidade lucrativa, graças principalmente à existência de óleo leve e barato no Texas para ser processado.

"Portanto, é uma refinaria potencialmente muito lucrativa. Além disso, pelos investimentos feitos pela Petrobras, foi premiada como a melhor refinaria dos Estados Unidos em segurança de trabalho e condições ambientais".

Segundo ele, em 2006, na época da compra, a análise feita pelo Conselho de Administração da Petrobras concluiu que seria necessário ampliar o parque de refino da empresa no exterior. Gabrielli disse ainda que o conselho não toma decisões operacionais, mas estratégicas.

Após uma exposição de pouco mais de 20 minutos, o ex-presidente da Petrobras respondeu a perguntas do relator José Pimentel (PT-CE).

Para Gabrielli, crise na Petrobras é 'campanha da oposição'

Antes de encerrar seu depoimento inicial à CPI da Petrobras na manhã desta terça-feira, o ex-presidente da empresa Sérgio Gabrielli saiu em defesa da estatal. Segundo ele, a petrolífera não pode ser considerada uma companhia em crise nem à beira da falência.

"Isso é campanha de oposição. Isso é luta política", afirmou Gabrielli, antes de começar a responder às dúvidas dos parlamentares.

Gabrielli ainda ressaltou que a Petrobras tem hoje 21 bilhões de barris de reserva e vale US$ 90 bilhões. O executivo presidiu a empresa entre 2005 e 2011, durante o governo Lula. A compra da refinaria de Pasadena foi feita em 2006.

O negócio nos Estados Unidos foi questionado porque a estatal brasileira pagou US$ 360 milhões por 50% por Pasadena, um valor bem superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira.

Tags: a, comissão, cpi, gabrielli, senado

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