Jornal do Brasil

Sábado, 26 de Julho de 2014

País

"Loucura do procurador", diz Azeredo sobre denúncia de Janot

Portal TerraNey Rubens

O ex-deputado federal e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), reapareceu publicamente após um período afastado dos eventos políticos. Azeredo participou na manhã desta segunda-feira do lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Dinis Pinheiro ao cargo de vice na chapa de Pimenta da Veiga, que vai concorrer ao governo do Estado. O evento ocorreu em um ginásio no centro de Belo Horizonte (MG). 

Azeredo demonstrou irritação ao ser interpelado pelos jornalistas: "Eu queria que vocês da imprensa divulgassem a minha defesa, não apenas aquela loucura do procurador", afirmou. O ex-governador mineiro foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo suposto envolvimento no chamado mensalão tucano, que teria contado com o auxílio do empresário Marcos Valério para desviar recursos públicos do Estado durante a campanha à reeleição ao governo de MG em 1998. 

Na época, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), Azeredo teria cometido os crimes de peculato e lavagem de dinheiro e, por isso, o procurador pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-governador seja condenado a 22 anos de cadeia e pague uma multa de R$ 404.950.

Poucos dias depois da denúncia do procurador, Azeredo renunciou ao cargo de deputado federal. "Não queria prejudicar ninguém, os meus companheiros, por causa disso, só por isso. Eu já fui governador, senador, com muita honra", disse, negando que a renúncia tenha sido uma manobra para escapar do julgamento no STF, como ocorreu com o mensalão do PT. "Isso aí a imprensa interpreta o que quiser", avisou.

No primeiro evento de campanha que lançou Pimenta da Veiga como candidato ao governo estadual, e que contou com a participação do senador Aécio Neves e do ex-governador de Minas, Antônio Anastasia, entre outras lideranças tucanas, Azeredo não quis participar para evitar, segundo ele, constrangimento aos colegas de partido. "Eu estava muito sentido mesmo, sabe? Quem tem vergonha na cara fica sentido quando é injustiçado. Foi isso que aconteceu. Eu não fui ao evento porque eu tinha sido injustiçado, não estava bem de saúde. Hoje eu estou participando e vou continuar participando porque eu tenho muito mais condição moral que muita gente que está por aí", garantiu.

Pimenta da Veiga confirmou a presença de Azeredo na campanha dele e de Dinis Pinheiro ao Palácio Tiradentes. "(A participação de Azeredo) vai ser como for conveniente. Pesam contra ele acusações, ele nunca foi condenado por nada, só isso", resumiu. Para o pré-candidato tucano, o eleitorado não está interessado no assunto mensalão, por isso ele não acredita que as duas campanhas insistam com denúncias sobre o tema de ambos os lados. "Imagine, nós vamos apresentar um grande programa de governo, muitas ideias. Vamos debatê-las como, aliás, temos debatido. Eu já fui a uma centena de cidades, ninguém está interessado neste assunto. Todo mundo quer saber como vai ser o próximo governo", afirmou.  Pimenta da Veiga terá como adversário mais forte o ex-ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel (PT).

Estranho no ninho

Durante o evento, o deputado estadual Mário Henrique Caixa compareceu, para segundo ele, "prestigiar um amigo". Caixa é do PCdoB, partido da base aliada do governo Dilma Rousseff. "Eu não vejo problema nenhum em vir dar um abraço no Dinis e participar deste evento. Vim dar um abraço ao amigo e ele ficou muito feliz com isso", explicou.

Perguntado se a amizade obrigaria ao parlamentar a mudar de lado ou ser mal interpretado entre as duas bases aliadas, Caixa respondeu que "de forma alguma". "O Dinis é um amigo, eu vim prestigiar um amigo", reiterou.  

"O deputado Caixa pertence a um partido, ao PCdoB e o PCdoB abraçou a candidatura do ex-ministro Fernando Pimentel. Obviamente, nós temos um partido e temos que seguir a orientação do partido, mas como disse a vocês, tenho pelo Dinis uma grande amizade", concluiu.

Tags: azeredo, estadual, Mensalão, MINAS, sucessão

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