Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

País

Odebrecht é responsável por mais da metade da receita do PMDB

Empreiteiras como a Camargo Corrêa também doaram enormes quantias ao PT

Jornal do Brasil

A prestação de contas do PMDB entregue à Justiça Eleitoral revelou que quase dois terços da receita do partido foram doados pela empreiteira Odebrecht. A empresa doou R$ 11 milhões à legenda, que embolsou R$ 17 milhões em 2013.

A quantia supera os R$ 6,1 milhões doados pela construtora durante a campanha de 2010, ano de eleição presidencial e governamental nas 27 unidades federativas, além das Assembleias Legislativas e do Congresso. A Andrade Gutierrez, outra empresa do setor, doou R$ 500 mil à sigla no ano passado.

As empreiteiras também marcaram presença na prestação de contas do PT. O diretório nacional do Partido dos Trabalhadores registrou recorde de arrecadação em ano não eleitoral (2013). Foram R$ 79,7 milhões captados de empresas, 57,3% a mais que o registrado no ano não eleitoral anterior, 2011. Entre as maiores doadoras, figuram justamente algumas das empreiteiras que protagonizam os maiores escândalos deste país. 

Os principais doadores foram justamente as empresas que têm interesse em projetos e influência no governo federal - as já conhecidas empreiteiras, como Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS; o frigorífico JBS, empresas de transporte e de engenharia ambiental. A Camargo Correa foi a maior doadora da legenda, com R$ 12,3 milhões. 

De acordo com reportagem do Valor, baseada na prestação de contas do PT encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se levarmos em conta apenas a contribuição dessas empresas para custear as atividades partidárias, 2013 foi o ano de maior arrecadação desde 2007, quando o TSE iniciou a divulgação desses dados na internet. Entre as empresas que mais contribuíram, logo após a Camargo Correa, vem a Revita Engenharia, com R$ 8 milhões, a JBS, também com R$ 8 milhões, a Queiroz Galvão, com R$ 7 milhões, a OAS, com R$ 6,67 milhões, e a Odebrecht, com R$ 6 milhões.

Em 19 de abril deste ano, o JB alertava:

(...)

Aliás, no emaranhado envolvendo corrupção e poder público, é comum vermos nomes se repetindo, tanto de políticos quanto de empresas. Nos anos 1990, novos escândalos envolvendo a Andrade Gutierrez vieram à tona, desta vez na construção da nova sede da Eletropaulo, no governo de Luiz Antonio Fleury Filho, sucessor de Orestes Quércia.

(...)

Em 2009, uma operação da PF, batizada de Castelo de Areia, trouxe à tona novamente caso envolvendo políticos e empreiteiras. Deste vez era a Camargo Corrêa e mais de 200 políticos dos mais variados partidos relacionados com supostos crimes financeiros, lavagem de dinheiro, superfaturamento de contratos, fraudes em concorrências e pagamento de propinas.

Governos mudam, décadas se passam, mas muitos personagens continuam os mesmos e, principalmente, muitas práticas se repetem, em jogos de interesses, favores e favorecimentos, negociatas e parcerias, onde empreiteiras, empresários e políticos seguem mantendo seus feudos e se agarrando ao poder, tudo financiado pelos cofres públicos.

JB também tem ressaltado a importância de atacar os corruptores e não só os corruptos, como em artigo publicado em 30 de abril: "O corruptor é sempre mais criminoso que o próprio corrupto. (...) Este tipo de corruptor deve ser banido, preso, execrado. Ele é que destrói a moral e a dignidade do país. O corruptor macula a célula da sociedade."

Tags: construtoras, doações, empreiteiras, Obras, partidos, política

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