Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

País

Retrato falado atribuído à mulher linchada foi feito por polícia do Rio em 2012

Agência Brasil

O retrato falado divulgado em uma rede social e que levou à agressão da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, em Guarujá, em São Paulo, foi feito por peritos da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), no Rio de Janeiro. A dona de casa foi confundida com a mulher do retrato falado e acabou sendo espancada por moradores da comunidade de Morrinhos. Ela foi amarrada e agredida até a chegada da Polícia Militar, que fez um cordão de isolamento para evitar que os moradores continuassem a agredir a dona de casa.

O retrato falado faz parte da investigação conduzida pela 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso), na zona da Leopoldina do Rio, em um caso de tentativa de sequestro.  Após a divulgação do retrato na internet, a dona de casa foi confundida com a mulher retratada, que é suspeita de tentar roubar um bebê em 2012. A tentativa ocorreu após uma mãe sair de uma clínica com seu bebê, onde a criança fez o exame do pezinho. Um homem, que passava pelo local, interrompeu a ação da suposta criminosa ao ver a mãe com um corte no pescoço e correndo para conseguir pegar a filha de volta. O caso ocorreu em Ramos, também na zona da Leopoldina.

Segundo a Polícia Civil, o retrato falado foi feito com base em características físicas passadas pela vítima ao retratista do setor especializado da instituição. Na época, a mãe do bebê disse aos policiais que a acusada era negra, estava acima do peso, tinha cerca de 1,60 m e aproximadamente 25 anos.

A Polícia Civil informou também que a investigação da tentativa de sequestro do bebê e da lesão corporal da mãe está em andamento. A suposta criminosa ainda não foi identificada. A polícia informa que divulga retratos falados como meio de identificação, já que a divulgação da imagem pode ajudar a levar ao paradeiro do autor de um crime.

A página Guarujá Alerta, no Facebook, divulgou boato de que uma mulher estaria sequestrando crianças na cidade para usar em rituais de magia negra. O boato prosperou por causa do retrato falado. O responsável pela página prestou depoimento hoje (6) à Polícia Civil. O autor do Guarujá Alerta disse que as postagens deixavam claro que a polícia não confirmava a veracidade das informações e explicitava o tom de boato.

Fabiane de Jesus morreu na manhã de segunda-feira (5), dois dias após o linchamento. Carregando cartazes com pedidos de justiça, parentes e amigos da dona de casa fizeram um protesto na manhã de hoje (6). A manifestação ocorreu após o enterro da dona de casa, no Cemitério Municipal Jardim Paz do Morrinho.

Tags: dona casa, litoral, massacre, polícia, SP

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