Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

País

No Ceará, voluntários da Copa ganham curso e defendem trabalho

Portal Terra

Amar Alrai tem 22 anos e é estudante de Direito. A jovem paranaense mora há cinco anos em Fortaleza e participa pela segunda vez do Brasil Solidário, programa de capacitação ofertada pelo governo em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) que prepara voluntários nas cidades-sede da Copa do Mundo para atuar durante o mundial. “É comum vermos ações voluntárias para doentes, carentes... Por que não ter a perspectiva de fazer um trabalho voluntário para quem está feliz? Não considero trabalhar de graça para ninguém. Estou dando algo de mim para o esporte”, afirma a jovem.

Para ela, que já participou do programa durante a Copa das Confederações, essa é a chance de vivenciar mais de perto “este megaevento do esporte mundial”. Amar considera a atividade como uma oportunidade de aprender mais: “o treinamento que tivemos aqui vamos levar para a vida”.

Neste final de semana, o segundo de capacitação presencial, os voluntários participaram da atividade de Integração. Além de orientações de preparo físico, eles também receberam coordenadas de postura e como lhe dar com abordagens inesperadas.

Rafael Tursi, professor e ator, afirma que a expectativa é que os cursos se estendam para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. “Queremos que o voluntário repare no outro. Como eu abordo ou sou abordado por uma pessoa que não conheço ou que fala outra língua? Saber isso é muito importante para o nosso dia a dia”, afirma.

Em Fortaleza, além dos voluntários da Fifa, serão pelo menos 1,2 mil selecionados pelo Brasil Voluntário, além de 300 como cadastro de reserva. Eles serão distribuídos em locais estratégicos com maior concentração de turistas e torcedores, como praias, aeroporto e entorno do estádio.

A capital cearense abriu 1,5 mil vagas para o programa e teve 2.134 inscritos, sendo 1.464 de Fortaleza e região metropolitana, representando 68,6%. Foram mais de 600 interessados de outros locais do país, que buscaram atuar no Ceará.

O biomédico Daniel Lima, 30 anos, estudante de Medicina, mora no Piauí e viaja excepcionalmente nos finais de semana para Fortaleza para participar do programa. “Cheguei à capital cearense às 8h, tomei banho na rodoviária e volto ainda hoje para Teresina. Para mim, esta é uma oportunidade de aprendizado única”, declara.

Segundo relata, alguns amigos procuram motivos para trabalhar tanto sem receber remuneração. “Sim, vou trabalhar para empresários de graça. Empresto meus serviços para eles e em troca ganho conhecimento”, alega.

A professora de educação física Tereza Cristina Tavares assume a ansiedade, mas já diz preparada para o Mundial. ”A expectativa não é tão grande porque já temos uma noção do que vamos encontrar. Além disso, estamos conhecendo gente nova, isso é muito bom”, diz.

Angelica Lobo, gerente administrativa, está muito empolgada com a atividade. “Vejo essa experiência como um treinamento funcional útil para o nosso dia a dia. O bom aqui, também, é o relacionamento com os colegas”, comenta.

Ao final do curso, todos os participantes receberão certificado que vale como curso de extensão. O treinamento presencial segue até 25 de maio e ainda pode receber inscrições.

Tags: 2014, brasil, Mundial, treinamento, voluntariado

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