Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

País

Foster: negócio em Pasadena teve "baixo retorno", mas era "potencialmente bom"

Agência Câmara

A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse há pouco que a compra da refinaria de Pasadena (EUA) foi um negócio de “baixo retorno” analisando o cenário do mercado de petróleo e gás atual, mas era “potencialmente bom” na época da aquisição dos 50% iniciais da Astra Oil.

“Até 2008 o negócio de Pasadena era potencialmente bom. Porque faríamos a renovação do parque de refino (conhecida como revamp) para processar o petróleo pesado, maioria do extraído no Brasil. Pós 2008, o negócio é de baixo retorno, porque as margens foram reduzidas, o mercado caiu, não fizemos o revamp”, afirmou Foster.

Ela citou os licitações para novas refinarias no Brasil, como a Premium 1 e 2 no Maranhão e Ceará, como uma mudança das cenário, em particular depois da descoberta do pré-sal em 2006. “Em 1999 a proposta era ir para fora do Brasil porque não havia descobertas aqui. Em 2006 com o pré-sal mudou-se a rota”, explicou.

Atualmente, Foster afirmou que a estatal tem possibilidade de refinar, no exterior, 230 mil barris/dia, sendo 100 mil por Pasadena.

Cláusulas

O resumo executivo feito pela área internacional, na versão de Graça Foster, omitia qualquer referência às cláusulas Marlim e put option que integravam o contrato. A primeira garantia à empresa belga Astra Oil, sócia da Petrobras America Inc, rentabilidade mínima de 6,9% ao ano, mesmo com condições de mercado adversas. Já a put option – ou opção de venda – obrigava a Petrobras a comprar a participação da Astra em caso de conflito entre os sócios na condução do negócio.

Para Foster, a cláusula put option é comum e valia apenas para a Astra Oil. “Petrobras tinha o direito da decisão, e a Astra tinha o direito de sair do negócio. Algo que parece razoável. A Petrobras não tinha direito à put-option porque a Astra não tinha direito de fazer imposições. Tão simples quanto isso.”

Já para a cláusula Marlim, Graça Foster disse que ela valeria tanto para a Astra como para a Petrobras America. “A cláusula Marlim fez com que se viabilizasse o negócio, tanto para a Petrobras quanto para a Astra”, disse. Ela não teria sido usada porque o revamp não foi feito.

Tags: câmara, depoimento, estatal, Petrobras, Petróleo

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