Jornal do Brasil

Terça-feira, 29 de Julho de 2014

País

'Atlantic': Brasil dá dinheiro para as mulheres por 'elas serem mais confiáveis'

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A classe média brasileira vive um processo de ascensão. Um dos fatores para tal fenômeno é o Bolsa Família, que há 10 anos vem retirando da pobreza milhões de brasileiros, com um programa de transferência de renda que recompensa as famílias por enviar seus filhos à escola e levá-los para regulares check-ups de saúde.

Esse cenário brasileiro é descrito na reportagem do jornal americano The Atlantic, que publica nesta quarta-feira (9/4) uma reportagem especial intitulada "Governo do Brasil dá dinheiro para as mulheres, porque 'elas são mais confiáveis ??'". A publicação diz que os termos do Bolsa Família são bem radicais para os padrões americanos. Todos os meses, 50 milhões de pessoas da classe pobre do país, ou um quarto da população, é autorizada a retirar cerca de US $ 35 a US $ 70 por mês, além dos valores destinados aos filhos. 

O jornal um aspecto próprio do Bolsa Família e se aprofunda numa avaliação sobre ele: o programa é enviado, principalmente, para dona de casa. "O Estado tende a acreditar que as mulheres são mais confiáveis ??do que os homens", disse ao jornal Sérgio Fausto, cientista político e diretor executivo do Instituto Fernando Henrique Cardoso em São Paulo. O pensamento no Brasil, como em outros países que oferecem transferências de renda e microcrédito principalmente para as mulheres, é que as mães são mais propensas a usar o dinheiro para ajudar seus filhos, enquanto os homens podem desperdiçar o dinheiro. Essa é uma especial preocupação em algumas partes do Brasil, onde o alcoolismo generalizado é um dos motores que leva à pobreza extrema.

O texto diz que o Brasil possui um quadro complicado de gênero. O país tem uma mulher presidente, e as suas novelas retratam mulheres de forma positiva. No entanto, a sua taxa de violência doméstica é estimada para ser uma das mais altas do mundo. O número de famílias chefiadas por mulheres está aumentando, mas o Brasil ainda é um dos países classificados como os mais baixos nas escalas globais de mulheres capacitadas, com apenas 28% da classe brasileira que diz ser tratada com respeito e dignidade. E um quarto dos entrevistados brasileiros, em outra recente pesquisa, disseram acreditar que as mulheres "merecem ser atacadas" se elas se vestem de forma provocativa.

O jornal afirma também que há questões mais amplas sobre se é verdadeiramente o Bolsa responsável por resolver a pobreza ou simplesmente promover uma cultura de dependência. Não há como dizer se este tipo de programa que já foi replicado no México, na Colômbia e em outros lugares, irá gerar os mesmos benefícios para as mulheres que não operam sob a dinâmica de gênero peculiares do Brasil. Ainda assim, quando se trata de externalidades resultantes de programas de bem-estar do "poder feminino" é um bom investimento.

Tags: Bolsa, família, mulheres, presidente, programa, RENDA

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