Jornal do Brasil

Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

País

Lula dispara: "Candidatura de Lindbergh é irreversível e ele vai ganhar"

Ex-presidente também afirma que já cumpriu sua tarefa: "Dilma é a melhor para ganhar"

Jornal do Brasil

Em entrevista a blogueiros na manhã desta terça-feira (8), no Instituto Lula, em São, Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não será candidato e que Dilma Rousseff é "disparadamente" a melhor pessoa para ganhar as eleições.  "Eu já cumpri minha tarefa, já me dou por realizado", acrescentou. Lula também comentou a candidatura de Lindbergh Farias (PT) ao governo do Rio: "É pra valer. Já está colocada. É irreversível. Ele está no meio do mandato e não tem nada a perder. Só a ganhar. Ele acha que é o momento dele. Ele é um candidato bom, vai crescer e pode até ganhar."

O Jornal do Brasil já havia publicado editorial destacando que Lindbergh Farias é o único candidato ao governo do Rio que tem o comprometimento do voto em Dilma e com o próprio Partidos dos Trabalhadores. No texto, o JB também destacou que o desprezo com que coordenadores da campanha para a reeleição de Dilma tratam Lindbergh não tem consistência política.

>> Confira: O comitê da campanha de Dilma e o desprezo com o resultado das eleições

Lula também comentou as polêmicas envolvendo a Petrobras, destacando que haveria interesses políticos de quem quer criar a CPI no Congresso - gente que "nunca quis criar CPI, para nada". Para Lula, "não adianta comparar" o valor que a empresa tem hoje e durante o governo FHC. "Se ela vale R$ 98 bilhões hoje, ela valia R$ 15 bilhões durante o governo FHC", lembrou Lula. "O que as pessoas não aceitam? Que a gente fez o regime de partilha", acrescentou, sobre o modelo de extração de petróleo adotada para o pré-sal. "E muitos desses queriam privatizar a Petrobras há pouco tempo", lembrou ainda o ex-presidente. 

O Jornal do Brasil também já havia destacado, em editorial, que uma CPI contra a Petrobras teria motivações políticas: "A forma com que está sendo tratado o assunto só serve pra manchar uma das ultimas joias da nação que não foi privatizada", dizia o texto.

>> Confira aqui: Campanha contra Petrobras será caminho para, no futuro, justificar privatização?

Ex-presidente dá entrevista a blogueiros no Instituto Lula
Ex-presidente dá entrevista a blogueiros no Instituto Lula

O ex-presidente comentou o envolvimento do deputado André Vargas (PT) com o doleiro Alberto Yousseff: "Ele tem que explicar para a sociedade, porque não tem sentido. Ele é vice-presidente de uma instituição importante, a Câmara dos Deputados, e acho que quando você está num cargo desse, você tem que ser exemplo. Espero que ele consiga provar e convencer a sociedade que não tem nada além da viagem [com o doleiro Alberto Youssef], o que já é um erro. Espero, torço, porque quem paga o pato é o PT."

Lula reclamou mais ações do PT e de setores do governo em defesa da atual gestão. "Tem de levantar a cabeça e enfrentar para valer o debate político. Por exemplo, cadê o blog da Petrobras, que foi tão importante em 2009?", perguntou Lula, referindo-se ao período em que a estatal reproduzia em sua página na internet pedidos de entrevistas de jornalistas. 

Outro tema abordado foi o mensalão. Lula destacou que é preciso que a verdade venha à tona. "A história do mensalão vai ser recontada nesse País, e se eu puder, vou ajudar a fazer ela ser recontada. Não vou julgar ninguém, mas não é possível que em mãos de 500 deputados não tenha aparecido nenhuma que recebeu mensalidade", disse Lula. "Como é que uma CPI que começou por conta de R$ 3 mil nos Correios terminou no mensalão?", questionou. "Acho que nós vamos ter de contar essa história sem pressa."

O ex-presidente comentou ainda o crescimento do país. "Faz onze anos que esse governo gera empregos e aumenta a massa salarial. Em que lugar do mundo isso está acontecendo?", questionou. Ele recordou seu tempo de sindicalista, "quando a inflação era de 80% ao mês, não era ao ano não", frisou. "Mas agora vejo o mesmo ministro daquele tempo reclamando que a inflação está indo para o topo da meta. Ora, gostaria que a inflação ficasse em 2%, mas prefiro que se crie empregos do que, como pediram alguns, haja desemprego para combater a inflação".

Lula foi além. "Hoje dizem que falta mão de obra qualificada. Que ótimo, porque vinte anos atrás engenheiro tinha de trabalhar fora do país, não tinha o que fazer aqui dentro. Agora, precisamos formar engenheiros". Ainda falando sobre a economia brasileira, o petista disse que "a imprensa não sabe o que está acontecendo no País". Ele ressaltou que a economia está aquém do que ele gostaria, e do que Dilma gostaria, e questionou: "Mas quem está na frente do Brasil? O que nós fizemos em 11 anos, algumas revoluções não fizeram em 20", declarou.

Questionado sobre os problemas na área da saúde, Lula ponderou: "Não existe a possibilidade de dar saúde de qualidade sem recursos. A saúde custa caro, o médico custa caro, precisa de equipamentos e laboratórios para que todos tenham acesso. E o SUS é motivo de orgulho para o País", disse. Ele criticou ainda que só são divulgadas "coisas ruins" da saúde. "Só vão atrás de quem está morrendo, ninguém tira foto de quem sai com vida. Mas tem muita coisa boa na saúde também", disse.

O ex-presidente falou ainda sobre o presidente do STF, Joaquim Barbosa: "As pessoas perguntam: você se arrependeu de indicar o Barbosa? Eu digo: não. Porque na época não havia o mensalão, não o indiquei pra julgar o mensalão. Indiquei porque queria um advogado negro na Suprema Corte. O comportamento dele é de inteira responsabilidade dele. Acho que a Suprema Corte tem que se pronunciar nos autos do processo. Não posso ficar falando de você o que vou fazer com você, preciso pegar os autos e decidir. Alguns inclusive mentiram", declarou Lula, que também se pronunciou sobre "a teoria do domínio do fato", usado na condenação de envolvidos no caso do mensalão: "Um achado extraordinário. Você é pai daquela criança que fumou maconha. Você tinha que saber", exemplificou.

Ainda sobre o mensalão, Lula comentou a repercussão: "No caso do mensalão, o massacre foi apoteótico. Não vi essa gritaria no caso de Minas. Então são dois pesos, duas medidas. Os mesmos que defenderam a forca para José Dirceu defendem agora um julgamento tranquilo e civilizado para os outros. Deveria ser assim para todos. Acho que o que está acontecendo com o Zé Dirceu é um abuso muito grave. Acho que ele deveria estar em prisão domiciliar." O ex-presidente falou também sobre a cobertura jornalistica do julgamento. "Cansei de ver dizerem que aquilo foi a maior história de corrupção que já existira nesse País, sem dar os números. Mas depois apareceu uma quantidade de sonegação de impostos que era muito maior do que tudo o que se falava. Tenho mais idade do que vocês, aprendi que a gente não deve ficar nervoso. Mas não vamos abaixar a cabeça. Se você abaixa a cabeça, aprendi isso com a minha mãe, eles colocam uma cangalha em cima".

No âmbito da economia, Lula defendeu uma maior participação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na divulgação das medidas tomadas pelo governo. "Falei para Guido Mantega: 'Medidas na economia têm de ser explicadas em rede nacional. E a Dilma não tem tempo, vai você. Tem de falar'. Diziam que eu falava demais durante o meu governo, e eu acho isso ótimo. Porque falava mesmo, para mostrar a verdade. Se eu não falasse, quem iria falar por mim?"

O ex-presidente também comparou o acesso de crédito que o País tem hoje e o que tinha em 2002, quando venceu pela primeira vez as eleições. "Em março de 2002, o Brasil só tinha R$ 380 bilhões disponibilizados para crédito em todo o sistema financeiro. Hoje, esse mesmo Brasil tem R$ 2,7 trilhões. Hoje, o pobre consegue chegar no banco e pegar dinheiro sem ser visto como bandido. Esse Brasil nunca ficou tão orgulhoso de si como nos últimos 11 anos", disse.

No campo da política, Lula falou sobre o que pensa da reforma. "Estou convencido de que só uma Constituinte exclusiva pode fazer a reforma política. Sinceramente, acho que não tem outro jeito. Esse Congresso não fará, não tem condições de fazer, seria contrariar sua natureza." Lula ainda falou sobre Eduardo Campos, virtual adversário de Dilma nas eleições presidenciais: "Tenho uma belíssima relação com o Eduardo Campos, e já tinha uma boa relação com o avô dele, Miguel Arraes. Sou agradecido por tudo o que ele fez no meu governo. Lamentei que ele tenha se afastado da base para ser candidato da oposição. Não entendo por que ele adiantou o processo. A Marina eu entendo, porque me lembro das divergências que havia quando ela fazia parte do meu governo, o Eduardo eu não compreendo."

O ex-presidente ainda falou sobre Copa do Mundo: "Vem ajudar a gente a fazer uma coisa agora que só seria feita no futuro. Os aeroportos estão acontecendo, as obras de infraestrutura estão acontecendo, o Galeão, o Viracopos. A Copa do Mundo no Brasil é um encontro de civilização entre nós. É mais do que o dinheiro. Milhares de pessoas virão conhecer esse país, comer a comida desse país. É mais do que futebol, é trazer para cá o mundo esportivo."

Tags: brasil, campanha, dilma, eleição, Lula, Rio

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