Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

País

Campanha de vacinação contra o HPV é considerada sucesso pela OMS

Jornal do BrasilLouise Rodrigues*

Com a meta de vacinar, até o final do ano, 80% das meninas com faixa etária de 11 a 13 anos, o Ministério da Saúde está próximo do sucesso da campanha contra o HPV. Mais de 58% da meta já foi alcançada e cerca de 2.445.005 meninas já tomaram a primeira dose da vacina. No Rio de Janeiro, o objetivo é vacinar 317.591 adolescentes. Desse total, 168.662 já aderiram à campanha.

A Organização Mundial da Saúde elogiou a iniciativa do Governo brasileiro. Em uma nota publicada no site, a OMS declarou apoio à “decisão brasileira de propiciar gratuitamente a vacina às adolescentes, num marco integrado para a prevenção e o controle do câncer de colo do útero”. Na publicação, o Diretor Adjunto da Organização Panamericana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, Jon Andrus, afirma: “A medida terá um grande impacto na saúde das meninas de hoje e das mulheres do futuro”.

Para o vice presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, Nelson Nahon, “a vacinação é importante e gera efeito”. Nahon, contudo, acredita que a faixa etária poderia ser ampliada a fim de atingir mais adolescentes e até mesmo mulheres que já iniciaram a vida sexual. “Outro ponto seria incluir meninos, já que o HPV também atinge homens e pode desenvolver câncer”, opina. Ainda segundo o vice presidente do CREMERJ, o Ministério da Saúde tem tomado decisões valorosas na prevenção de doenças. “A introdução do HPV no calendário de vacinação é um grande avanço na prevenção de condilomas. Agora podemos começar a pensar na vacinação contra a Hepatite A, que mata muitas pessoas”, reitera Nahon.

O HPV

O HPV é um condiloma causado pelo Papilomavírus humano. É popularmente conhecido como verruga genital, crista de galo, figueira ou cavalo de crista.  É uma doença sexualmente transmissível com mais de 100 tipos de vírus. Alguns podem causar câncer no colo do útero e no ânus. Não é possível prever quanto tempo o HPV pode permanecer sem sintoma, assim como acontece em outras doenças, como a AIDS.

A vacina não descarta a necessidade do uso de camisinha nas relações sexuais, que também evita a transmissão de outras DSTs. Quando há lesão (verrugas", há mais risco de contaminação. O Ministério da Saúde orienta que mulheres na faixa etária dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo, o Papanicolau, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos negativos.

Polêmica

Quando o Ministério da Saúde anunciou a campanha de vacinação contra o HPV, grupos religiosos mostraram insatisfação. Para eles, a prevenção seria um estímulo para que as meninas, entre 11 e 13 anos, iniciassem a vida sexual precocemente. Para Nelson Nahon, a intenção da campanha não é desrespeitar as práticas religiosas de fies. “É preciso ter diálogo com as meninas. O que vai fazer com que ela perca a virgindade é, além da vontade, o conhecimento. Se ela foi criada em determinada religião, os pais precisam conversar com elas sobre isso e dizer que a vacina irá prevenir contra doenças graves até mesmo depois do casamento”, explica.

Outro ponto importante ressaltado por Nahon é que a vacina tem o objetivo de previnir a mulher contra o câncer. “Não estamos estimulando a relação sexual, estamos prevenindo doenças. Mesmo que a menina perca a virgindade após o casamento, ela pode desenvolver doenças sexualmente transmissíveis. Do mesmo jeito que a educação sexual previne a gravidez precoce, a vacinação previne o câncer. Já imaginou o sofrimento de uma mãe, que se recusou a vacinar sua filha e descobre que, por isso, a menina está com câncer?”, esclarece Nahon.

A vacina

Leia a nota do Ministério da Saúde sobre a segurança da vacina:

“Usada como estratégia de saúde pública em 51 países, a vacina utilizada no Brasil é recomendada pela OMS e tem eficácia de 98% contra o vírus HPV. O Comitê Consultivo Mundial sobre Segurança das Vacinas, responsável por prestar assessoramento científico à OMS, atestou novamente a segurança da vacina contra o HPV, durante reunião realizada no dia 12 de março.

Desde o lançamento da vacina contra o HPV, em 2006, mais de 170 milhões de doses foram aplicadas no mundo.  Diversos estudos - que monitoraram durante anos milhares de pessoas vacinadas na Austrália, Europa e América do Norte - excluíram a ocorrência de eventos adversos graves ou permanentes”.

* Do Projeto de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: campanha, cura, hpv, OMS, prevenção, vacina

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