Jornal do Brasil

Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

País

Líderes estudantis da década de 50 relembram incêndio da sede da UNE

Agência Brasil

Sete lideranças estudantis da década de 1950 fizeram, hoje (1º), um ato em frente à antiga sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), zona sul da cidade do Rio de Janeiro, para relembrar o incêndio do prédio há 50 anos, no primeiro dia do golpe militar. José Frejat, que foi presidente da UNE em 1950, era integrante do Partido Socialista Brasileiro (PSB), em 1964, e testemunhou o ato.

Ele conta que voltava para casa, no Flamengo, mesmo bairro onde fica a sede da UNE, depois de uma reunião do partido, quando viu o prédio sendo incendiado. “Quando desci do ônibus, vi que os móveis estavam sendo jogados na rua e incendiados. Não tinha ninguém fardado. Não sei dizer se eram militares à paisana ou se eram civis, do Comando de Caça aos Comunistas (CCC). Foi muito triste. A UNE tinha uma grande força no país. Era uma entidade conceituada, respeitada pelos estudantes”, conta Frejat.

Outro líder estudantil que presenciou o incêndio foi Alfredo Marques Vianna. Ele presidiu a União Metropolitana dos Estudantes (UME), de 1959 a 1960, e era vice-presidente da Associação Comercial do Rio, em 1964.

“Eu passava de carro, por volta das 10h, e a UNE estava sendo incendiada. Aquilo era um indício de que começava um incêndio no Brasil. Esse incêndio foi o primeiro. O Brasil se incendiou ainda mais depois, com cassações, perseguições, torturas”, destacou Vianna.

Para João Pessoa de Albuquerque, presidente da UNE entre 1953 e 1954, não havia necessidade de incendiar a sede da entidade. “Você pode ser adversário político, sem ser inimigo pessoal. Quando você incendeia um prédio histórico e tradicional, você está cometendo um ato selvagem”, disse Albuquerque.

Por volta das 10h30, os sete líderes estudantis estenderam uma faixa com os dizeres “A UNE de ontem protesta contra o incêndio de sua sede, há 50 anos”. Depois de ter a sede incendiada, o governo militar sancionou a Lei Suplicy (Lei 4.464/64), que colocou a UNE na ilegalidade. A entidade só começou a se reestruturar no final da década de 1970.

Flávio Suplicy de Lacerda, ministro de Educação e Cultura no primeiro ano do golpe, criou a lei extinguindo os movimentos estudantis e substituiu por novos órgãos de representação dos estudantes, atrelados às autoridades governamentais.

O prédio foi demolido no início dos anos 80, pelo governo militar, depois que estudantes tentaram reocupar a antiga sede. A UNE reconquistou a posse do terreno em 2007, por uma decisão judicial. Em 2010, o governo federal deu início às obras de reconstrução do prédio, que ainda estão em andamento.

Tags: 64, brasil, ditadura, golpe, política, regime

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