Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

País

Desembargador nega ter ouvido disparos antes da entrada da PM no Carandiru

Agência Brasil

O desembargador Fernando Antônio Torres Garcia  prestou depoimento na tarde de hoje (31) como testemunha de defesa na terceira e última etapa do julgamento do Massacre do Carandiru em primeira instância, que ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda. Garcia era juiz da Corregedoria na época do massacre.

Em seu depoimento, de cerca de 20 minutos, o desembargador, que já foi ouvido em outras etapas do julgamento, disse não se lembrar de ter ouvido disparos de armas de fogo no Pavilhão 9 antes da entrada da Polícia Militar no local. “Disparo [de arma de fogo] não me recordo. Mas tinha muita balbúrdia”, disse.

O massacre ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos após uma invasão policial para conter uma rebelião de presos. A acusação defende que os presos estavam desarmados e rendidos quando a Polícia Militar entrou no Pavilhão 9 e que, portanto, os detentos foram executados pelos policiais. Já o advogado de defesa dos réus, Celso Vendramini, defende que os presos estavam armados e que houve um confronto com os policiais.

Garcia também negou ter visto corpos de presos no Pavilhão 9. “Nenhum civil teria visto isso. Somente os policiais [que foram os únicos a entrar no Pavilhão 9 logo após a rebelião]”, disse o desembargador.

Nesta fase do Tribunal do Júri estão sendo julgados 15 policiais do Comando de Operações Especiais (COE) pela morte de oito presos e duas tentativas de homicídio. As vítimas ocupavam o quarto pavimento (terceiro andar) da desativada Casa de Detenção do Carandiru. Quatro delas foram mortas após disparos de armas de fogo. As demais, por armas brancas.

Tags: carandiru, detentos, massacre, mortos, SP

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