Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

País

SP: trégua em greve de agentes permite transferência de presos

Portal Terra

Com a trégua de 48 horas sugerida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) aos agentes penitenciários, em greve desde o último dia 10 de março, os detentos que superlotam a cadeia anexa ao 2º Distrito Policial, na região central de Campinas, puderam ser transferidos para os centros de detenção provisória (CPDs) dentro do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia. 

Na cadeia de triagem do 2º DP havia 128 presos até ontem. O local tem seis celas que comportam oito pessoas em um total de 48 detentos a espera de vagas no sistema prisional.

Pelo acordo assinado entre a Força Sindical, que representa o Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária (Sindasp), e o MPT, os grevistas interromperam o movimento à 0h. Nestes dois dias, o Sindasp espera que as negociações avancem com o governo do Estado.

"O governo alega que, enquanto houver paralisação, ele não negocia com a categoria, então decidimos ceder", disse o representante da Força Sindical Carlos Ferreira. Segundo ele, a expectativa é que nesses dois dias possa haver diálogo e que o governo acate as reivindicações. Os agentes pedem 20,64% de reajuste de reposição inflacionária, 5% de aumento real e melhores condições de trabalho.

Neste intervalo de dois dias sem a presença dos grevistas em frente às portas do presídio, voltaram a ocorrer as transferências de presos entre as cadeias. Dezenas de viaturas levando presos foram avistadas entrando pelo portão principal do complexo penitenciário. Outros serviços que estavam suspensos pelos grevistas também retomaram a normalidade, como o envio de presos para as audiências criminais no Fórum, as visitas dos advogados e a entrada de sacolas com alimentos e cigarros, conhecidas como "jumbo".

Nessas quase três semanas de paralisação, os grevistas haviam reduzido as suas atividades e até limitaram para uma pessoa o número de visitas nos finais de semanas. O acesso normal é de até três familiares por preso, inclusive crianças.

Foi permitida também a saída dos reeducandos do sistema semiaberto do Centro de Progressão Penitenciária (CPP). Cerca de 550 homens prestam serviço para a prefeitura de Campinas. Eles saem de dia e volta a noite no CPP. Os homens realizam trabalho de capina em jardins, roçada de mato e limpeza de boca de lobo. 

Estava prevista para nesta terça-feira uma reunião no Palácio dos Bandeirantes entre os representantes da Secretaria da Administração Penitenciária e os grevista, para uma rodada de discussão sobre a pauta de reivindicação.

Tags: agentes, cadeias, interior, paralisação, presídios, SP

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