Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

País

SP: grevistas desafiam Justiça e impedem remoção de detentos

Portal Terra

Mesmo com uma liminar da Justiça que os proíbe de impedir o transporte de detentos, cerca de 150 agentes penitenciários barraram nesta sexta-feira a entrada de 250 detentos na penitenciária de Dracena, no interior de São Paulo. A liminar foi concedida pela Justiça ao governo do Estado na noite de quinta-feira. Por ela, os agentes, que estão em greve desde a última segunda-feira, estão proibidos de impedir o transporte de presos e de obstruir os direitos da comunidade carcerária.

Apesar disso, sindicalistas e agentes se reuniram desde a manhã para fazer piquetes na porta da penitenciária. Diretores de sindicatos colocaram carros em posições estratégicas e lacraram o único portão de acesso ao presídio com barras de ferro retorcidas. 

Os piquetes visavam impedir que dezenas de caminhões e ônibus com 550 detentos do “Linhão Caipira” pudessem entrar no presídio. O linhão é a união de “bondes” (veículos que transportam presos) que saem de diversas unidades do interior com presos que estão trocando de presídios. Eles se encontram em Dracena, onde cada um vai para o veículo que o levará ao seu destino.

Mas troca não pode ser feita. Dos 550 detentos, apenas 250 chegaram a Dracena e mesmo assim os grevistas impediram que os veículos entrassem e que os detentos saíssem das conduções. “Muitos bondes nem saíram das unidades porque os agentes não deixaram. Nossa orientação é para que evitassem confrontos, principalmente com diretores de presídio e PMs e que se fosse o caso, a gente barrava aqui em Dracena”, contou o Daniel Grandolfo, presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp).

“Por isso, os bondes que chegaram são de unidades que não estão em greve ou de unidades em que os agentes não conseguiram evitar a saída”, explicou outro sindicalista, Luiz da Silva Filho, diretor do Sindicato dos Servidores do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp). Mesmo assim, diretores de sindicato, ao perceberem a presença da imprensa, orientaram os agentes das unidades a “soltar” os bondes para fazer “jogo de cena” aos jornalistas.?

Os piquetes foram feitos na rua que dá acesso ao presídio. A cada caminhão com detentos que chegava, os grevistas se uniam com mãos dadas fazendo uma barreira humana para impedir a passagem. Ao chegar com os veículos próximos do grupo de piqueteiros - que gritava palavras de ordem e frases contra o governador Geraldo Alckmin -, os motoristas desligavam os motores, conversavam com grevistas e depois faziam o retorno ou saíam de marcha à ré, sob os aplausos dos grevistas. Foram barrados oito caminhões e um ônibus com cerca de 150 detentos que entraram  na rua. 

No entanto, o maior bonde, com nove caminhões com cerca de 100 presos da unidade de Presidente Venceslau não chegou a entrar na rua de acesso ao presídio. A Polícia Militar, que naquele momento ameaçava enviar a Tropa de Choque para garantir a mobilidade dos comboios, encontrou uma saída e determinou que os caminhões não chegassem próximos dos piquetes. Os veículos foram estacionados no acostamento de uma rodovia próxima e de lá retornaram para Venceslau.

“Atingimos nosso objetivo que era mostrar que a classe está unida e não deixou descer nenhum detento”, disse Grandolfo. 

Além de agentes, advogados foram proibidos de entrar na unidade penitenciária pelos grevistas. Um dos advogados, Robson Fernandes, disse que tinha viajado 700 quilômetros, de São Bernardo do Campo a Dracena, para falar com seu cliente. “Eles não me deixaram entrar, vou voltar. Eu sabia da greve, mas acho que, mesmo em greve, deve haver um atendimento para a população nesses casos”, disse.

A Secretaria de  Administração Penitenciária (SAP) informou que, por conta da liminar, os grevistas podem ser punidos com multa diária de R$ 100 mil e que está apurando se os diretores sabiam da existência da liminar.

Tags: administração, paralisação, penitenciária, Secretaria, SP

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