Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

País

Aulas em Porto Velho devem ser retomadas em 15 dias

Agência Brasil

As aulas na cidade de Porto Velho, em Rondônia, devem ser retomadas daqui a 15 dias, segundo previsão do governador Confúcio Moura. Atualmente, na capital e demais distritos, quase 2,5 mil famílias foram desalojadas pela cheia do Rio Madeira. "Grande parte das famílias está em casas de parentes e amigos, outra parte, em abrigos religiosos e em escolas estaduais e municipais. Há 15 escolas ocupadas", disse o governador.

Moura explicou que está sendo construído um novo abrigo, com apoio do Exército. "Serão barracas grandes, com banheiros químicos de qualidade, para todos ficarem concentrados. Isso facilita a estratégia de atendimento, distribuição de alimentos e água, segurança, além de abrirmos as escolas para as aulas".

Moura esteve em Brasília esta semana e participou de várias reuniões com representantes do governo federal, buscando apoio para resolver os problemas causados pela cheia do Madeira, entre eles, o de moradia. "Em audiência com a presidente Dilma Rousseff. O prefeito de Porto Velho Mauro Nazif também se comprometeu a impedir o retorno das famílias para áreas de risco e abrigá-las em casas do programa Minha Casa, Minha Vida", disse Moura, ao explicar que estão sendo construídas 12 mil casas em Porto Velho. Duas mil casas devem ficar prontas em abril.

Segundo o governo, a presidente Dilma garantiu que não há problema de limite de casas para Rondônia, desde que o estado faça um novo recadastramento e envie ao Planalto.

Além das moradias, segundo a Prefeitura de Porto Velho, 31 prédios públicos, de todas as esferas do poder, foram danificados.

Outro problema são os distritos, para onde, segundo o governador, as famílias devem repensar se voltam após a vazão do rio. "Temos distritos afogados, como eu chamo, porque não tem nenhuma casa respirando, todas estão submersas. E, embora o ribeirinho seja muito apegado à floresta, à vida extrativista, essa cheia amedrontou todo mundo. Então muitos vão pensar duas vezes se retornam".

Para o governador, apesar de bem assistidas, as famílias abrigadas sentem o desconforto da mudança, a insegurança de estar nos abrigos sem saber quando retornam para suas casas. "Eles estão em locais sem privacidade, todos juntos, e as relações humanas começam a se deteriorar, começam a haver rompimentos. Então, temos que entender essa psicologia das tragédias para poder minimizar os conflitos entre as famílias", disse.

O Rio Madeira alcançou nesta quinta, às 15h, a marca de 19,09 metros de altura em relação ao leito. Segundo informações do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), com as fortes chuvas que ainda atingem a Bolívia e o Peru, o nível do Rio Madeira deve chegar aos 19,30 metros até a próxima quinta, dia 20 de março. A cota de alerta do rio é 14 metros.

"É a maior cheia que se tem conhecimento e surpreendeu todos os antigos moradores. Já estou há 40 anos em Rondônia e nunca tinha visto isso acontecer", ressaltou o governador.

Tags: aulas, emergência, enchentes, Rondônia, suspensão

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