Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

País

SP fica em alerta com greve em penitenciárias e Marcola

Portal Terra

A possibilidade de uma onda de ataques e de rebeliões nos próximos dias coloca em alerta as forças de segurança do Estado de São Paulo. As ações seriam praticadas pelo crime organizado para se vingar da internação de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em regime disciplinar mais rígido e para protestar contra a interrupção de visitas nos presídios pelos agentes penitenciários que estão em greve.

Detentos da Penitenciária 2 (P-2) de Presidente Venceslau, onde estão as principais lideranças do PCC, se revoltaram nesta terça-feira porque não puderam sair das celas para o banho de sol. A medida, segundo os agentes, foi tomada por segurança e para facilitar a remoção de quatro líderes do PCC, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, para o Centro de Readaptação Penitenciária (CRP), de Presidente Bernardes, onde vão cumprir pena no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). 

Os detentos ficaram mais revoltados ao tomarem conhecimento, à noite, de que a greve dos agentes - que também ocorre na P-2 - foi mantida e que, por conta disso, as visitas íntimas e de parentes, realizadas em fim de semana, seriam suspensas. Em um “salve” (mensagem do crime organizado para os comandados), captado pelos serviços de inteligência, o PCC ameaça fazer quebra-quebra nos presídios se as visitas deste fim de semana forem suspensas. “Nós não temos nada a ver com a briga dos agentes com o governo, por isso, se as visitas forem suspensas a cadeia vai quebrar”, teria tido um líder da facção a um informante do sistema.

Na tentativa de evitar as rebeliões, o Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Pauo (Sindasp) anunciou que vai pedir aos agentes para que suspendam a greve entre sexta-feira e domingo, permitindo que as visitas sejam realizadas no fim de semana, mesmo correndo o risco de enfraquecer o movimento. 

“Não estamos brigando com os presos, estamos brigando com o governo do Estado, que nos fez uma proposta ridícula, mas pode resolver esta situação atendendo nossas reivindicações”, disse o diretor jurídico do Sindasp, Rozalvo José da Silva.

As polícias Civil e Militar estão orientando para a prevenção de possíveis ataques durante os deslocamentos e operações. Um “salve” captado na semana passada informava sobre a possibilidade de ataques a forças e prédios publicado caso se confirmasse a transferência de Marcola.

Uma das determinações das duas polícias é para que seus homens não fiquem sozinhos em viaturas e que, nas abordagens, estejam sempre acompanhados de, no mínimo, mais um companheiro. 

O pedido de alerta também vale para os agentes penitenciários, para que estejam atentos dentro e fora dos presídios e, principalmente, no caminho de ida e volta ao trabalho.

Tags: crime, facção, paralisação, prisões, SP

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.