Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

País

PMDB da Câmara anuncia independência e quer discutir aliança

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A bancada do PMDB na Câmara dos Deputados manifestou nesta terça-feira a sua independência nas votações da Casa e decidiu pedir a convocação da executiva nacional para discutir a aliança com o PT. Os deputados também reafirmaram apoio ao líder do partido, Eduardo Cunha (RJ), e garantiram que não indicarão nomes para os ministérios da cota da bancada.

Cunha disse que não cabe à bancada decidir ou não o rompimento da aliança nacional com o PT. Segundo ele, isso cabe à esfera partidária própria, que começa pela executiva nacional e depois pela convenção nacional.

Os parlamentares aprovaram uma moção de desagravo a Cunha, onde afirmam que as agressões sofridas por ele “extrapolam o patamar da civilidade, sobretudo nas relações políticas”. “Os ataques ao nosso líder são ataques ao PMDB”, ressalta o texto. Todos os deputados do partido assinaram a moção. Na nota, a bancada também afirmou que o diálogo com o PMDB da Câmara deve ser feito com o líder Eduardo Cunha. 

O grupo decidiu ainda manter o apoio à criação de uma comissão para investigar a Petrobras e quer convocar ministros para prestarem depoimentos em comissões da Câmara.

Na segunda-feira (10), a presidente Dilma Rousseff se reuniu com lideranças do partido aliado no Palácio do Planalto, mas Cunha não participou do encontro, que foi interpretado como uma tentativa de isolar o parlamentar. Cunha reagiu e, através de seu Twitter, avisou: "Tentar me isolar é isolar a bancada do PMDB."

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O foco da crise está na Câmara dos Deputados, onde sete partidos da base aliada, sob o comando de Eduardo Cunha, formaram o que foi chamado de "blocão" para pressionar as negociações com o Executivo em votações da Casa. 

Na segunda-feira, Cunha chegou a afirmar que não estava promovendo uma "guerra" com o Executivo. “Eu não estou fazendo nenhuma guerra, nem levando ninguém para a guerra. [...] Não estou pregando rompimento [com PT]. Não há uma atuação deliberada pregando rompimento. Eu não preguei nada, preguei respeito”, afirmou o peemedebista.

Por sua vez, o vice-presidente Michel Temer afirmou, também na segunda-feira (10) que o cenário ainda é propício para o partido compor chapa com o PT nas eleições de outubro. "Estamos conversando muito adequadamente. É uma aliança muito sólida. As conversas que tive domingo à noite e segunda-feira com as lideranças do PMDB revelam a solidez da nossa aliança, por mais que se diga que tem embaraços", afirmou Temer.

Insatisfação

Após a reunião desta terça-feira, Cunha reafirmou que o partido vai votar contra o projeto do marco civil da internet e a favor da instalação de uma comissão externa da Câmara para investigar denúncias de que uma empresa holandesa teria pago propina a funcionários da Petrobras. “A bancada está insatisfeita com a condução da aliança, mas isso não significa rompimento com o governo ou com o PT”, declarou.

Ele afirmou que, durante a reunião, não foi discutida a entrega de cargos do governo. “É um movimento para demonstrar a insatisfação da bancada com o comportamento do PT e para discutir a qualidade da aliança”, disse. De acordo com Cunha, é como um casal que discute a relação, o que não significa, necessariamente, uma separação.

Nota

A bancada do PMDB divulgou uma nota com cinco pontos fundamentais para o partido. São eles:

- apoio irrestrito ao líder do partido, Eduardo Cunha, "dos ataques despropositados do PT que atingiram frontalmente o PMDB";

- reiterar Eduardo Cunha como interlocutor único da bancada;

- reafirmar a decisão do partido de não indicar nomes para ministérios;

- reconfirmar a intenção da legenda de conduzir os trabalhos no Legislativo com independência; e

- defender a convocação de uma convenção para decidir a continuidade ou não de uma aliança com o PT.

A deputada Íris de Araújo (PMDB-GO) reafirmou a independência do partido e defendeu uma candidatura própria à Presidência da República, com a devolução dos ministérios e de todos os demais cargos indicados pelo partido.

Já o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) afirmou que a bancada fluminense não deve seguir com a aliança nacional e defendeu o apoio regional à candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência.

Tags: crise, PMDB, política, PT, relação

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