Jornal do Brasil

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

País

Grupo Parlamentar vai à Itália discutir intercâmbio legislativo

Agência Câmara

Deputados do Grupo Parlamentar Brasil-Itália vão a Roma discutir intercâmbio legislativo. O convite foi feito, nesta terça-feira (11), pela deputada ítalo-brasileira Renata Bueno, que integra a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados italiana.

A visita deve se estender à embaixada brasileira e a ministérios italianos, em Roma, com data prevista para o fim deste mês. A Itália passa por problemas políticos e econômicos e, há duas semanas, está sob o novo comando do primeiro-ministro Matteo Reinzi.

A coordenadora do Grupo Parlamentar Brasil-Itália, deputada Cida Borghetti (Pros-PR), explica que um dos principais objetivos da viagem é resgatar os laços de amizade entre os parlamentos italiano e brasileiro e trabalhar a legislação dos dois países. “Essa troca de informação é de extrema importância".

Renata Bueno, que coordena um grupo similar de deputados italianos focados na relação com o Brasil, afirma que encontros como esses reforçam projetos bilaterais nos campos social, econômico, político e diplomático.

Os deputados brasileiros querem mais detalhes, por exemplo, sobre a chamada Lei Tremaglia, que desde 2001, permite aos filhos e netos de italianos, que vivem longe do país e têm dupla cidadania, elegerem representantes para o Parlamento.

Segundo Renata, a ideia é que o Brasil faça o mesmo. "A Itália sempre teve uma organização associativa de várias tipos de representação até chegar a ter uma lei própria sobre deputados com atribuições ordinárias que possam falar em nome desses italianos. A ideia é que o Brasil tenha isso. Em uma época moderna em que os países acabam se integrando naturalmente, é inevitável que tenhamos algum tipo de representação internacional".

Caso Pizzolato 

Ex-vereadora em Curitiba, Renata Bueno foi eleita há um ano para o Parlamento italiano, ocupando uma das vagas reservadas a representantes sul-americanos. Ela tem atuado, por exemplo, na pressão às autoridades italianas no caso Henrique Pizzolato, único dos condenados pelo mensalão a fugir do Brasil e que foi recentemente preso na Itália, onde aguarda decisão judicial sobre uma possível extradição.

"Disse a eles que não era somente mais um bandido que se utilizava da cidadania italiana para se refugiar dentro do território italiano, mas que era um caso de alta gravidade, com condenação definitiva da maior Corte do Brasil. E as autoridades policiais acabaram relevando isso, sem dúvida nenhuma", enfatizou a deputada italiana.

Henrique Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no caso do mensalão.

O STF determinou o cumprimento da sua pena, além das de outros 21 condenados, no último dia 13, mas Pizzolato, que tem dupla cidadania, fugiu para o país europeu, passando inicialmente pelo Paraguai.

Renata Bueno espera que o caso Pizzolato não volte a estremecer as relações bilaterais, como ocorreu no caso Cesare Battisti, o ex-militante comunista condenado na Itália que hoje vive livre no Brasil, já que sua extradição autorizada pelo STF não foi efetivada pelo governo brasileiro.

Tags: brasil, discussões, itália, políticas, visitas

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.