Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

País

Júri de acusado de esquartejar amante é adiado pela quinta vez em SP

Portal Terra

O julgamento do ex-cirurgião Farah Jorge Farah, que confessou ter matado e esquartejado sua suposta amante Maria do Carmo Alves, em 2003, foi adiado pela quinta vez. Marcado para começar nesta segunda-feira no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, o júri foi transferido para o dia 12 de maio deste ano.

O adiamento foi um pedido da defesa de Farah, que conversou com o juiz responsável pelo caso na última quinta-feira, alegando a não localização de duas das oito testemunhas arroladas.

"Desde o nosso pedido de adiamento, não tínhamos certeza de todas as nossas testemunhas de defesa. Das nossas oito testemunhas, apenas três tinham confirmado presença, cinco não haviam sido localizadas e duas não compareceram. Todas as nossas testemunhas são importantes, não arrolamos testemunhas desnecessárias. Entendemos que é importante o jurado conhecer o depoimento da testemunha e não tínhamos motivo para abrir mão de dois depoimentos importantes", afirmou o advogado de defesa de Farah, Odel Antun.

Por outro lado, o promotor de justiça André Luiz Bogado criticou a atitude da defesa e chegou a abrir mão de suas oito testemunhas para que o júri ocorresse nesta segunda.?

"A defesa insistiu em testemunhas, que não foram localizadas no endereço fornecido pela própria defesa. O Ministério Público queria fazer (o júri), ficamos uma hora e meia insistindo com o juiz. Nós nos dispusemos a renunciar, abrir mão de testemunhas, que eram oito, tudo para realizar esse júri. Ese crime aconteceu há 11 anos, não pode ficar impune. Esse cidadão está nas ruas, fazendo faculdade, andando de ônibus. Ele debocha da justiça, dos cidadãos. E a defesa vem com essas manobras procrastinatórias", afirmou o promotor.

Odel Antum, no entanto, acredita que o julgamento só acontecerá por causa da defesa, que afirmou esperar que todas as testemunhas compareçam no dia 12 de maio.

"Espero que todas venham. Só mais duas testemunhas precisam ser localizadas e chamadas e esperamos que até o dia 12 sejam localizadas. Esse júri vai se realizar por causa da defesa. Nosso interesse é que o júri seja feito, que o Farah resolva sua vida de uma vez por todas. Mas não vou abrir mão de provas por causa disso", explicou a defesa de Farah.

O crime

Condenado em 2008 a 13 anos de prisão, Farah será julgado novamente depois que o Tribunal de Justiça de São Paulo acatou pedido de sua defesa, em janeiro do ano passado, alegando que laudos oficiais que atestavam o estado semi-imputável do réu na época do crime foram ignorados pelos jurados. De acordo com a tese da defesa, no momento do crime o cirurgião não tinha compreensão total de sua conduta. Réu confesso do crime, o cirurgião não nega ter assassinado Maria. Sua defesa, porém, diz que, em março de 2002, a vítima ligou 3.708 vezes para o cirurgião, o que o teria efeito agir sob pressão. A defesa de Farah disse também que a mulher o ameaçava e, no dia do crime, o teria atacado com uma faca. 

A defesa sustentou que Farah não premeditou o crime e que ele foi perseguido durante cinco anos pela vítima. Durante o julgamento, o acusado disse que se lembra apenas de uma luta corporal com a vítima.

Após a briga, Maria do Carmo teria sido esfaqueada no pescoço e, com o ferimento, morrido dentro do próprio consultório. Farah então teria deixado o local, ido para o seu apartamento, e voltado quatro horas depois.

Utilizando os seus conhecimentos de médico e instrumentos cirúrgicos do próprio consultório, ele teria dissecado o corpo da mulher, retirando o sangue e seus órgãos vitais. Em seguida, teria cortado o corpo de Maria do Carmo em nove pedaços. Os relatos mostram também que ele retirou a pele das pontas dos dedos da mulher e destruiu as partes que pudessem levar a uma identificação. 

A mulher foi morta e esquartejada no consultório do ex-cirurgião em Santana, na zona norte de São Paulo. O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2003, mas partes do corpo de Maria do Carmo só foram achadas pela polícia três dias depois.

Farah ficou preso por quatro anos até que, em maio de 2007, a Justiça o autorizou a esperar pelo julgamento em liberdade. Desde 2006, o cirurgião está proibido pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) de exercer a profissão. 

Tags: adia, julgamento, médico, SP, Tribunal

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