Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Novembro de 2014

País

Artigo do 'JB' sobre o Dia da Mulher repercute na assembleia do Ceará

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Artigo do colunista do Jornal do Brasil Walmyr Jr sobre o Dia da Mulher, celebrado neste sábado (8), ganhou destaque na sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará, na sexta-feira (7). O deputado estadual Antônio Carlos de Freitas Souza (PT), em seu pronunciamento, além de ter comentado a importância da data - inclusive historicamente - destacou o artigo, lendo-o na íntegra e destacando a abordagem "extraordinária" e "muito coerente e em sintonia com o que a gente pensa".

Em seu discurso, o parlamentar afirmou ainda que assumiu o texto como um pronunciamento dele.

O deputado Antonio Carlos é atuante apoiador de movimentos feministas no Ceará. Ele realizará uma audiência pública, no dia 17 de março, para discutir a questão da violência doméstica e sexual sobre as mulheres de todas as idades. 

No PT, o deputado é ligado à tendência Democracia Socialista, considerada, dentre outros, uma tendência feminista.

Confira o vídeo do discurso:

Veja o artigo de Walmyr Jr, na coluna Juventude de Fé:

Dia da mulher não é um dia de rosas, é um dia de luta 

É importante fazer memória dos motivos que simbolizam o dia 8 de março como o dia internacional das mulheres. Porém é das bandeiras de luta que as mulheres e muitos homens esclarecidos levantam no dia a dia que temos que enfatizar nessa comemoração. Não podemos abrir mão de uma comemoração, mas não podemos celebrar sem antes falar das opressões que ainda hoje as mulheres sofrem.

Vemos que a história continua dando sentido ao retrato de uma sociedade retrograda, patriarcal e machista que ainda vivemos. No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, em Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

Por hora a manifestação foi reprimida. As 130 operárias tecelãs foram trancadas dentro da fábrica. Logo em seguida a fábrica foi incendiada carbonizando todas elas. Ao ser criada esta data, o que deve estar explicito não é a comemoração, mas a memória de tantas outras mulheres que foram e ainda são vitimadas pela violência do sectarismo machista vigente no modelo de sociedade que vivemos. 

Salários baixos, violência masculina (seja na relação conjugal ou paternal), jornada excessiva de trabalho, desvantagens na carreira profissional, abuso sexual e tantos outros crimes contra a dignidade humana das mulheres devem ser combatidos por toda a sociedade. É o desejo de igualdade que serve como inspiração para que a luta não acabe, mesmo com tanto preconceito e desvalorização da mulher.

Vemos nas mulheres do mundo inteiro o desejo de resistir a mercantilização dos seus direitos, mesmo quando se vive em uma sociedade que se baseia em um modelo consumista de ser. Temos que combater urgentemente a exploração da moda e da beleza, combater o mito do corpo perfeito, combater padrões morais de sexualidade que estimulam a violência e a discriminação racial e de gêneros.

Em um bate papo com Carol Bernado, estudante de direito da UFPA (UNIVERSIDADE Federal do Pará) e militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), alimentei ainda mais a esperança, às vezes utópica, de ver uma sociedade pautada na justiça e no respeito pela dignidade humana. De ver que este é o desafio diário que deve nos mover para lutar pela igualdade de direitos. De ver que é deste sonho, que o mundo precisa sonhar para assim perceber que somos todos e todas somos iguais.

Segundo Carol “o movimento de mulheres como um todo é pautado pela luta por igualdade. Quando a sociedade entender, de fato, que somos iguais aos homens, não vai haver hierarquia entre os sexos, nem machismo , nem sentimento de posse”.

E continua ”Pensamos que uma outra sociedade é possível, e que esta deve ser pautada na liberdade, na igualdade e na solidariedade. Esse é o desafio: construir e colaborar pra que essa nova sociedade exista hoje, por isso, ‘seguimos em marcha até que todas sejamos livres’”

As palavras dessa militante serve como referencia para que homens como eu, desconstrua o machismo que nos forma a cada dia. É também inspiração para lutar constantemente por uma mobilização popular para despatriarcalizar o Estado e a política. Para isso é preciso radicalizar a democracia e construir uma sociedade onde a conquista da liberdade e da igualdade das mulheres não será através de mais uma maquina de lavar, mas sim da igualdade ampla de direitos.

Então nesse dia 8 de março não se limite a parabenizar uma mulher, mas ajude a lutar contra o machismo!

* Walmyr Júnior Integra a Pastoral da Juventude da Arquidiocese do Rio de Janeiro. É membro do Coletivo de Juventude Negra - Enegrecer. Graduado em História pela PUC-RJ e representou a sociedade civil em encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ. 

Tags: brasil, coluna, Dia, JB, mulher, repercussão

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