Jornal do Brasil

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

País

SP: defesa pede adiamento de júri de acusado de esquartejar amante

Portal Terra

A defesa do cirurgião Farah Jorge Farah, que confessou ter matado e esquartejado sua suposta amante Maria do Carmo Alves, em 2003, pediu o adiamento do júri, marcado para a próxima segunda-feira, às 9h30. Segundo o advogado do médico, Odel Antun, em uma reunião realizada na quinta-feira com o juiz responsável pelo caso, ficou decidido que o julgamento acontecerá somente em maio.

"O Ministério Público e a defesa arrolaram oito testemunhas cada um, mas na sexta-feira antes do Carnaval cinco testemunhas de defesa não tinham sido intimadas ainda. Fizemos uma petição ao juiz para que, em vez de instalar a sessão na segunda-feira para decidir pelo adiamento, adiar a sessão automaticamente", afirmou o advogado. 

O Tribunal de Justiça de São Paulo, por meio da sua assessoria de imprensa, afirma que o júri segue marcado para segunda-feira. Segundo Antun, o juiz decidiu instalar a sessão para já intimar as testemunhas presentes para a nova data - 12 de maio. "Formalmente a data está mantida, mas só para intimar as testemunhas. Foi um acordo verbal que fizemos. O Farah inclusive foi liberado pelo juiz de comparecer à sessão", disse o defensor. 

Condenado em 2008 a 13 anos de prisão, Farah será julgado novamente depois que o Tribunal de Justiça de São Paulo acatou pedido de sua defesa, em janeiro do ano passado, alegando que laudos oficiais que atestavam o estado semi-imputável do réu na época do crime foram ignorados pelos jurados. De acordo com a tese da defesa, no momento do crime o cirurgião não tinha compreensão total de sua conduta. 

Réu confesso do crime, o cirurgião não nega ter assassinado Maria. Sua defesa, porém, diz que, em março de 2002, a vítima ligou 3.708 vezes para o cirurgião, o que o teria efeito agir sob pressão. A defesa de Farah disse também que a mulher o ameaçava e, no dia do crime, o teria atacado com uma faca. 

A defesa sustentou que Farah não premeditou o crime e que ele foi perseguido durante cinco anos pela vítima. Durante o julgamento, o acusado disse que se lembra apenas de uma luta corporal com a vítima.

Após a briga, Maria do Carmo teria sido esfaqueada no pescoço e, com o ferimento, morrido dentro do próprio consultório. Farah então teria deixado o local, ido para o seu apartamento, e voltado quatro horas depois.

Utilizando os seus conhecimentos de médico e instrumentos cirúrgicos do próprio consultório, ele teria dissecado o corpo da mulher, retirando o sangue e seus órgãos vitais. Em seguida, teria cortado o corpo de Maria do Carmo em nove pedaços. Os relatos mostram também que ele retirou a pele das pontas dos dedos da mulher e destruiu as partes que pudessem levar a uma identificação. 

A mulher foi morta e esquartejada no consultório do ex-cirurgião em Santana, na zona norte de São Paulo. O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2003, mas partes do corpo de Maria do Carmo só foram achadas pela polícia três dias depois.

Farah ficou preso por quatro anos até que, em maio de 2007, a Justiça o autorizou a esperar pelo julgamento em liberdade. Desde 2006, o cirurgião está proibido pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) de exercer a profissão. 

Tags: adiamento, farah, julgamento, médico, Tribunal

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