Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

País

Árbitro reclama de racismo e bananas jogadas em carro no RS

Portal Terra

O árbitro Márcio Chagas da Silva relatou ter sido alvo de racismo no último domingo, durante a partida entre Esportivo e Veranópolis, no Estádio Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O juiz acusou a torcida anfitriã de tê-lo ofendido com termos preconceituosos e de ter danificado o carro com bananas. A partida terminou com vitória por 3 a 2 a favor do Esportivo.

"Infelizmente, mais um fato lamentável. Eu já passei em anos anteriores por isso. Foi na entrada do jogo que a torcida começou a me chamar de 'macaco', 'imundo', 'escória'. Eu chamei a polícia e disse que se não parasse, iria relatar em súmula", afirmou Chagas.

Terminado o jogo, o árbitro notou que o carro estava sujo com bananas, inclusive no cano do escapamento. O veículo estava estacionado em um local protegido dentro do estádio próximo ao vestiário da arbitragem.

"O carro fica em um lugar privativo, fechado, com cadeado, quase na porta do vestiário da arbitragem. Alguns atletas que estavam no refeitório do estádio viram e se solidarizaram. Falaram que é uma atitude comum dos torcedores do Esportivo", contou o árbitro.

"Vou fazer agora à tarde um Boletim de Ocorrência. Ontem não fiz porque estava abalado, mas a polícia orientou que poderia fazer nesta tarde em Porto Alegre", explicou o juiz, que entregará súmula relatando as ofensas e com fotos do carro retratando as avarias e as bananas.

Chagas avisou que vai avaliar junto ao sindicato dos árbitros e a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) para decidir se entra com danos morais contra o Esportivo. Esta foi a terceira vez em que o juiz é vítima de racismo.

Em 2005, em Caxias do Sul, pela Copa Federação Gaúcha de Futebol, o árbitro foi ofendido em partida entre Caxias e Encantado. O treinador do Encantado teria o chamado de "macaco imundo". Em 2006, o goleiro do Cruzeiro-RS também teria o ofendido de forma racista. Houve punição da FGF para ambos os agressores.

Diretor executivo do Esportivo, Bruno Noventa lamentou a situação. "Para o Esportivo foi uma surpresa, pelas condições de segurança do estádio. O Esportivo é contra qualquer tipo de ato de racismo. Temos que averiguar direito, porque no lugar do carro do Márcio, só a arbitragem tem acesso. O cadeado é entregue à arbitragem, que fica com a chave do portão", disse.

"(O caso) Causa estranheza, porque ninguém leva banana ao estádio. Falou com o Márcio e que o clube não tem motivos para reclamar da arbitragem dele. Não há câmeras de segurança no local", completou o dirigente.

Tags: futebol, Gaúcho, juíz, racistas, Torcida

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