Jornal do Brasil

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

País

"Paradinha" é risco que deu certo, diz presidente da Mocidade

Portal Terra

A paradinha da bateria com direito a uma ala inteira da escola se ajoelhando para a plateia arrancou não só aplausos entusiasmados no Anhembi, na madrugada do último domingo (2), como foi o diferencial que garantiu o tricampeonato para a Mocidade Alegre no Carnaval 2014 de São Paulo.

A avaliação é da presidente da agremiação, Solange Bichara, em entrevista ao Terra após a apuração que conferiu o título à escola. "Tudo é risco, o Carnaval é risco, não tinha como a gente apostar sem arriscar. Sabíamos que a paradinha era arriscada, mas a escola tinha que fazer um diferencial e essa foi a maneira que achamos; o samba proporcionava isso”, afirmou, referindo-se ao samba-enredo Andar com fé eu vou... que a fé não costuma falhar.

Religiosa, Solange se definiu “uma pessoa de muita fé” e exibiu sete terços e um medalhão durante todo o tempo em que acompanhou, aflita, a apuração. A Mocidade alcançou a liderança logo no início da divulgação das notas, posto que acabou intercalado por Rosas de Ouro, segunda colocada, e Acadêmicos do Tatuapé, que terminou em sexto lugar.

“A gente estava meio assim... ‘Tri campeonato? Não vai dar...’ E no fim deu certo, acho que é muita perseverança, trabalho, muita fé, tudo ajuda. Fazia tempo  que a escola não conseguia esse feito, o último tricampeonato havia sido em 1971, 1972 e 1973. Hoje vai ser histórico de novo”, definiu Solange.

A presidente da Mocidade teve um início de mal estar hoje e o mesmo no dia do desfile. Por esse motivo, afirmou, não pensar agora no Carnaval 2015. “Vou curtir um pouquinho do que a gente está vivendo aqui agora e depois pensar nisso, preciso descansar. O coração deu um susto, e agora preciso me cuidar”, disse Solange, para quem “as coisas acontecem dentro da pista, nem antes nem depois, mas dentro”.

“Dizia para o meu pessoal que tínhamos que entrar tricampeões, passar tricampeões e sair tricampeões. Se daria ou certo, ou não, é outra coisa – mas essa é a forma como a gente trabalha. Temos um sistema de trabalho mais pé no chão; nossa consciência é a de que todo sambista tem valor e toda escola tem o seu mérito. Todo mundo trabalhou para chegar aqui”, definiu.

A equipe da Mocidade foi uma das poucas a demonstrar serenidade durante a divulgação das notas dos nove quesitos. Integrantes da Gaviões da Fiel e da Nenê de Vila Matilde, por exemplo, dispararam xingamentos a notas como 9,5, enquanto representantes da Tom Maior deixaram o Anhembi antes mesmo da divulgação do resultado final – e quando a escola já não tinha quaisquer chances de títulos.

A tensão ficou clara também quando um dos locutores pediu, rispidamente, que um helicóptero que sobrevoava o Anhembi deixasse o local em função do barulho. Representantes de várias escolas ironizaram o pedido sugerindo que ele estaria “com frescura” e pedindo a ele agilidade.

Tags: campeãs, desfiles, escolas, samba, SP

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