Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Setembro de 2014

País

Filhos de Gandhy completa 65 anos unindo gerações de foliões

Portal Terra

Mais tradicional bloco do Carnaval de Salvador, o Filhos de Gandhy reuniu foliões de todas as idades neste domingo para comemorar os 65 anos do grupo. Famosos por suas túnicas brancas e cordões azuis (distribuídos à multidão em troca de beijos), o bloco contagiou o circuito Barra-Ondina, colocando lado a lado pais e filhos em nome da paz.

O menino Vito, 6 anos recém-completos, desfilava com uma desenvoltura de veterano entre foliões dez vezes mais velhos. O tio, Raimundo, conta que o sobrinho participa do bloco desde pequeno. “É um clima muito bom aqui, você vê muita criança. É um bloco em que você pode curtir numa boa”, afirmou.

Há dez anos acompanhando o Filhos de Gandhy, Mário decidiu levar pela primeira vez o filho Paulo, de nove anos. “Esse é o melhor bloco que existe. Você vê todo mundo com celular na mão, sem medo de violência, sem preocupação. Nós estamos pensando até em, no ano que vem, trazer os filhos dos nossos amigos para curtir com a gente”, disse o morador de Salvador.

Apesar do ambiente familiar, os pais tratavam de zelar pela segurança de seus filhos, garantindo que eles ficassem o tempo todo por perto. Para isso, alguns foliões improvisaram “coleiras” com os colares azuis, com os quais levavam as crianças pelo braço.

Romance e paz

Cantor mais antigo do bloco, Pedro, 43 anos, afirma que o Filhos de Gandhy prega a paz no Carnaval. “Fazer parte dessa história do bloco, que é de certo modo história da cidade também, é uma honra muito grande. Faz parte da nossa negritude, de valorizarmos a nossa cultura afro, pregando a paz e o respeito nesse Carnaval”, disse o cantor, que há 23 anos participa do grupo.

Um dos foliões mais experientes era Antônio José, 75 anos, 18 deles com o Filhos de Gandhy. Questionado sobre a fama de pegadores no Carnaval, o folião garantiu que os beijos são consequência, e não objetivo principal da folia. “O beijo é um sinal de respeito e consideração às mulheres. A gente distribui de bom grado, e, na maioria das vezes, elas se sentem bem com esse clima de paz e amor e nos dão carinho”, disse o folião, que leva uma média de 60 colares a cada saída do bloco. “Volto com uns cinco, no máximo”, gaba-se.

Mas engana-se quem pensa que só tem lugar para solteiros no grupo. Há dez anos acompanhando o bloco, Gustavo namora há sete anos e diz que, desde então, se comporta no Carnaval. “Quando a gente começou a namorar, eu falei para ela que era Filho de Gandhy. Ela ficou um pouco incomodada, mas está sempre de olho. Eu venho pra curtir o Carnaval mesmo, ela tem o bloco dela, que ela vai com as amigas, e está tudo certo”, garantiu.

“Irmãs mais novas” dos Filhos de Gandhy, as folionas do bloco Filhas de Gandhy saíram logo atrás, com roupas inspiradas nas tradicionais vestes baianas. Jandira, 53 anos, participa há cinco anos do bloco, e disse que não o troca por outro. “É bom demais isso aqui. Os meninos lá dos Filhos de Gandhy nos dão colares e rola já um beijinho, um carinho”, brincou, enquanto uma amiga borrifava água de cheiro no ar.

Tags: Blocos, desfiles, folia, ruas, Salvador

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.