Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

País

Defesa de João Paulo Cunha faz sustentação oral

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro

Na sustentação oral feita na sessão desta tarde do STF, em favor do acolhimento dos embargos infringentes do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, o advogado Pierpaolo Bottini defendeu a tese de que o antecedente de crime contra o sistema financeiro - essencial para a caracterização de lavagem de dinheiro -não pode ser aplicado ao ex-deputado, já que nos votos proferidos pelos ministros não haveria "menção expressa" ao dolo do ex-parlamentar. Ele foi condenado por lavagem de dinheiro por 6 votos a 5, no julgamento propriamente dito, em 2012.

João Paulo Cunha foi condenado por receber R$ 50 mil -- caracterizados como vantagem indevida obtida em razão de sua função (presidente da Câmara dos Deputados) -- com o emprego de lavagem de dinheiro, uma vez que o valor foi retirado por sua esposa em uma agência bancária.

Entretanto, Pierpaolo Bottini sustenta que o réu não teve o objetivo de ocultar ou dissimular o dinheiro. "O recebimento de dinheiro por meio da esposa não caracteriza objetivamente a lavagem de dinheiro por dois motivos: Não se trata de comportamento apto a ocultar o bem; e mesmo que se considere ocultação, não restou demonstrado o contexto de lavagem, uma vez que inexiste qualquer elemento que vincule o recebimento a uma pretensão de reinserção dos valores na economia, com aparência de licitude".

Na condenação de João Paulo Cunha por lavagem de dinheiro, em 2012, votaram pela absolvição os ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli, Cezar Peluso e Marco Aurélio.

PGR

Na segunda parte da sessão plenária desta quinta-feira (27/2), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez rápida sustentação oral, na qual reforçou sua posição contrária ao recebimento dos embargos infringentes. Segundo Janot, a condenação pelo crime de lavagem de dinheiro deve ser mantida, porque ficou comprovado que o parlamentar usou a estrutura de lavagem disponibilizada pelo Banco Rural, e ainda aperfeiçoou o esquema, enviando a esposa para receber o valor em seu lugar. Acrescentou que o relator da ação penal, ministro Joaquim Barbosa, salientara também que, ainda que o próprio João Paulo Cunha tivesse, pessoalmente, comparecido à agência do Banco Rural para realizar o saque, teria cometido lavagem de dinheiro.

O julgamento pelo plenário do mérito dos recursos de João Paulo Cunha, Breno Fischberg e João Claudio Genu - que querem ser absolvidos no quesito lavagem de dinheiro - ficou mesma marcado para o próximo dia 13 de março.

Tags: federal, julgameento, Mensalão, Supremo, tribuunal

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