Jornal do Brasil

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

País

Presidente da CDH não lembra de integrar frente contra aborto

Portal Terra

O novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Assis do Couto (PT-PR), afirmou nesta quarta-feira que sua postura contrária ao aborto de uma forma “indiscriminada e aberta” não vai afetar os trabalhos e o diálogo com grupos feministas. Em 2011, o petista assinou como integrante da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Vida - Contra o Aborto, mas diz que não lembra de ser signatário do grupo.

“Eu tenho uma visão sobre isso. Primeiro, sou católico, tenho um princípio familiar que é contra o aborto de forma indiscriminada e aberta. No entanto, eu tenho o entendimento de que o Estado, que nós temos um problema de saúde pública gravíssimo em torno dessa questão do aborto e que muitas vezes escondemos esse fato atrás de uma questão religiosa”, disse. “Eu sei discernir muito bem qual é o papel do Assis do Couto pai de família, católico, do Assis do Couto parlamentar, homem público, que tem de lidar com as questões de Estado, de saúde pública. Acho que o movimento feminista vai saber lidar com esta posição”, afirmou.

Sobre seu nome constar na frente parlamentar contra o aborto, Couto diz que isso não significa, necessariamente, que ele concorda inteiramente com o que o grupo de deputados e senadores defende. “São centenas de frentes parlamentares. Eu assino a Frente Parlamentar da Agropecuária, que é chamada de Frente Parlamentar dos Ruralistas. Não quer dizer que eu concorde com o que está colocado lá”, disse.

Indicado pelo PT para presidir a comissão, Assis do Couto foi eleito por uma margem apertada contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), também criticado por movimentos de defesa de direitos a homossexuais. Foram dez votos para o petista, contra oito de Bolsonaro.

Filiado no PT desde 1987, Couto tem sua trajetória política ligada a políticas de agricultura familiar. Está em seu terceiro mandato como deputado federal e tem como uma de suas mais importantes políticas a aprovação da lei que estabeleceu diretrizes para a Política Nacional da Agricultura Familiar.

Outros petistas cotados para presidir a CDH eram Érika Kokay (DF) e Nilmário Miranda (MG). Érika foi uma das principais críticas do projeto apelidado de “bolsa estupro”, que previa um auxílio financeiro a grávidas vítimas de abuso sexual, para evitar o aborto. Eleito vice-presidente da comissão, Nilmário Miranda foi ministro de Direitos Humanos no primeiro mandato do governo Lula.

Tags: câmara, comissão, direitos, eleição, humanos

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