Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

País

Ministro critica regalias a condenados do mensalão em cadeia

Portal Terra

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta quarta-feira a possibilidade de alguns petistas condenados no julgamento do mensalão estarem tendo regalias dentro dos presídios onde cumprem pena. Segundo o magistrado, o tratamento desigual dispensado aos políticos mensaleiros pode gerar um clima de rebelião que pode colocar até mesmo a vida dos petistas em risco.

“A cadeia é uma panela de pressão. Quando há tratamento preferencial para uns e os demais não têm o mesmo tratamento, eles ficam inconformados e isso pode gerar um clima de rebelião interna”, disse o ministro antes do início da sessão de hoje no Supremo.

Pouco antes, o advogado de Delúbio Soares, Arnaldo Malheiros Filho, negou qualquer regalia e condenou enfaticamente a denúncia de que o ex-tesoureiro do PT teria feito uma feijoada dentro do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), onde cumpre pena de seis anos e oito meses, em regime semiaberto, por corrupção ativa. A pena pode ser aumentada para oito anos e 11 meses, em regime fechado, caso o STF rejeite o recurso que pede a sua absolvição pelo crime de formação de quadrilha.

"Não têm sido dadas regalias. Tem essa história da feijoada que é uma fantasia. De fato, os companheiros de cela dele compraram na cantina uma costela de porco em lata e misturaram com a xepa (quentinha) e chamaram isso de feijoada. E nem foram eles, o pessoal do mensalão, foram os outros presos, da mesma cela . Mas, como é comum na cadeia, é tudo coletivo. O que é de um é de todos. Não houve feijoada”, garantiu Malheiros.

Ontem, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) enviou ofício à Vara de Execuções Penais (VEP) no qual pede rigor na investigação de supostas "regalias" a presos do processo do mensalão que estão detidos em penitenciárias de Brasília, entre eles Delúbio e o ex-ministro José Dirceu. O documento recomenda que, caso sejam constatados os privilégios, que os condenados pelo STF sejam transferidos para presídios federais.

Os promotores se baseiam em reportagens publicadas nos últimos dias pelo jornal O Globo que apontam supostas regalias a Dirceu, detido no Centro de Internamento e Reeducação (CIR), e a Delúbio Soares, preso no CPP. Segundo o MP, o ex-tesoureiro não foi obrigado a fazer a barba - regra para todos os detentos - e também pode colocar o carro da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no qual se desloca durante o dia no pátio interno do CPP, o que também fere as regras da unidade prisional.

“Se (Delúbio) brigou com um funcionário, eu não sei, mas que ele tirou a barba, tirou. Então, não tem privilégio nenhum. Já o presidente do sindicato (CUT) vai praticamente dia sim dia não no presídio e passou pela cela dele (Delúbio) e deu um ‘oi’. Não tiveram conversa nada, até porque ele pode atender esse presidente do sindicato na CUT (onde Delúbio trabalha durante o dia)”, acrescentou Malheiros.

As denúncias levaram à demissão do diretor do CPP, Afonso Emílio Alvares Dourado, nesta quarta-feira, e do então vice-diretor da unidade, Emerson Antonio Bernardes, na semana passada.

Tags: esquema, Mensalão, operador, penas, réus

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.