Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

País

Moreira Franco: “Brasil vai dobrar número de passageiros do transporte aéreo”

Para dar conta da demanda, Governo Federal já investiu mais de R$ 7 bi em aeroportos

Jornal do Brasil

O Brasil está prestes a alcançar o terceiro lugar no ranking mundial de transporte aéreo doméstico e o quinto em cargas. A afirmação é do diretor-presidente da IATA (sigla em inglês da Associação Internacional de Empresas de Transporte Aéreo), Tony Tyler, em visita ao país.

Hoje os Estados Unidos, China e Japão são, respectivamente, os maiores do mundo em transporte aéreo doméstico de passageiros. No Brasil o número de pessoas voando de avião quase quadruplicou na ultima década, saltando de 30 para 100 milhões/ano. A projeção é de que esse número chegue a 200 milhões até 2024.

Parte desse avanço se deve aos investimentos do Governo Federal em infra-estrutura aeroportuária. O valor já passa de R$ 7 bilhões. Acompanhado disso, são desenvolvidas ações para o fortalecimento da aviação regional, da executiva, além da concessão de aeroportos a iniciativa privada. "O Brasil precisava avançar nesse setor", explica o ministro Moreira Franco, que há um ano está à frente da Secretaria da Aviação Civil da Presidência da República.

"A tendência é que o trabalho de ampliação e revitalização nos aeroportos do Brasil seja algo constante daqui pra frente", diz Moreira Franco
"A tendência é que o trabalho de ampliação e revitalização nos aeroportos do Brasil seja algo constante daqui pra frente", diz Moreira Franco

Reformas

Não apenas por conta da Copa do Mundo, praticamente todos os grandes aeroportos brasileiros estão passando por reforma e ampliação. O Santos Dumont, no Rio, vai receber novo sistema de ar refrigerado. O terminal 1 do Galeão também passa por uma completa transformação. E a parte nova do terminal 2 já estará liberada no Carnaval. "As obras não vão parar por aí. A tendência é que o trabalho de ampliação e revitalização nos aeroportos do Brasil seja algo constante daqui pra frente, pois esses espaços precisam se adaptar a realidade do século 21", completa o ministro Moreira Franco.

Em Brasília, estão sendo construídos novos píers de embarque e desembarque de passageiros. Só o píer sul, que será inaugurado na primeira quinzena de abril, terá onze pontes de embarques novas. Com isso, a capacidade de atendimento passará de 16 para 21 milhões de passageiros por ano.

No aeroporto internacional Luis Eduardo Magalhães, em Salvador, as melhorias estão na iluminação, nos banheiros e a área de check in, que foi ampliada. O mesmo ocorre em Manaus e em Cuiabá, que além de um novo terminal terá o estacionamento ampliado.

Concessões

Ainda dentro das políticas de melhoria para o setor, o governo decidiu repassar à iniciativa privada a construção e a gestão de alguns aeroportos. São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, será o primeiro construído 100% com recursos privados. Já os aeroportos de Brasília, de Guarulhos, de Viracopos, do Galeão e de Confins em Minas Gerais foram concedidos a empresas privadas, mas conta m com participação da Infraero na composição societária.

No Estado de São Paulo, o foco é a aviação executiva. O Aerovale, um novo aeroporto em Caçapava, está com obras aceleradas. A pista será usada para receber pequenas aeronaves e helicópteros que têm como destino a capital paulista. "Os aeroportos de São Paulo estão saturados. Esse aeroporto, que fica a uns 20 minutos da capital, vai ajudar a desafogar a demanda da aviação executiva", conta Moreira Franco, que na semana passada visitou o local.

Regionalização

Outro desafio para que o Brasil alcance, de fato, a projeção da IATA está no fortalecimento da aviação regional. Para tanto o governo elaborou um plano de ação que prevê, na primeira etapa, investimentos da ordem de R$ 7,3 bilhões. Inicialmente serão contemplados 270 aeroportos regionais. As medidas permitirão aperfeiçoar a qualidade do serviço prestado ao passageiro, agregar novos aeroportos à rede de transporte aéreo regular, aumentar o número de rotas operadas pelas empresas aéreas.

Os investimentos previstos são da ordem de R$ 1,7 bilhão em 67 aeroportos na região Norte; R$ 2,1 bilhões em 64 aeroportos na região Nordeste; R$ 924 milhões em 31 aeroportos no Centro-Oeste; R$ 1,6 bilhão em 65 aeroportos no Sudeste; e R$ 994 milhões em 43 aeroportos na região Sul. "O programa visa ampliar o acesso da população brasileira a serviços aéreos. O objetivo é que 96% da população brasileira esteja a menos de 100 km de distância de um aeroporto apto ao recebimento de voos regulares", afirma o ministro.

Os projetos promoverão a melhoria, o reaparelhamento, a reforma e a expansão da infraestrutura aeroportuária, tanto em instalações físicas quanto em equipamentos. Os investimentos incluirão, por exemplo, reforma e construção de pistas, melhorias em terminais de passageiros, ampliação de pátios, revitalização de sinalizações e de pavimentos, entre outros. Os recursos virão do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC).

Dentre os critérios para análise de relevância do aeródromo serão consideradas características como o volume de passageiros e de cargas, os voos regulares e os resultados operacionais. Além disso, serão considerados aspectos socieconômicos, o nível de acessibilidade na Amazônia Legal, o potencial turístico e de fomento da integração nacional. Além de investimentos em aeroportos em cidades de pequeno e médio porte, serão contempladas medidas de incentivo à aviação regional com foco na viabilização de rotas de baixa e média densidades de tráfego.

Tags: aeroporto, brasil, Governo, investimento, voo

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