Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

País

AM: CPI da exploração sexual chega a Coari e ouve testemunhas

Portal Terra

Uma força tarefa composta por diversos órgãos de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes e por integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados desembarcou na manhã desta quinta-feira na cidade de Coari, a 363 quilômetros de Manaus, para ouvir novas testemunhas que teriam sido abusadas sexualmente pelo prefeito Adail Pinheiro, e pessoas que, nas últimas semanas, sofreram atentados e ameaças.

No desembarque em Coari, as deputadas federal Erika Kokay (PT-DF), presidente da CPI, e Lilian Sá (Pros-RJ), relatora da comissão, foram recebidas por membros do Conselho de Cidadão de Coari (Concico) com faixas de apoio e denúncias de atentados a um de seus membros.

A vítima do suposto atentado, o bancário Raione Queiroz, 23 anos, levou os membros da força tarefa até sua casa, no bairro Santa Efigênia, onde mostrou a marca do tiro disparado na noite da última segunda-feira. "Nós havíamos acabado de fazer uma reunião do conselho para definir novas manifestações contra o prefeito Adail (Pinheiro, acusado de comandar uma rede de prostituição infantil). Os membros foram embora e eu fui tomar banho. De repente ouvi um barulho de tiro, quando olhei para minha sala, vi a marca da bala na cadeira onde minutos antes eu estava sentado", relatou Queiroz aos membros da CPI.

Segundo Raione, um dia antes do atentado ele teve uma discussão em uma rede social com um secretário da prefeitura de Coari, e que no dia seguinte ao atentado esse mesmo secretário teria dado a ele um bom dia pela rede social. "Achei irônico o tom dele, pois nunca tive intimidade com ele. O nome dessa pessoa só irei dizer às deputadas", disse Queiroz.

A segunda denúncia de atentado e ameaça de morte a pessoas contrárias ao prefeito Adail Pinheiro chegou de maneira inusitada. As deputadas Erika Kokay e Lilian Sá, além dos demais membros da força tarefa, saiam da casa de Raione quando, desesperado e chorando, dois homens a abordaram dizendo terem acabado de ser ameaçado pelo segurança do secretário de Comunicação da prefeitura. "Temo pela minha família. Essa semana foi a segunda vez que fui ameaçado por ter dado declarações a uma emissora de televisão onde criticava o prefeito.Coari virou uma terra isolada do Brasil, onde a lei que funciona aqui é a lei do Adail", desabafou Rousevelt Carvalho, 43 anos.

Após ouvir o relato, a presidente da CPI pediu que Rousevelt fosse depor oficialmente contra os atentados. Em seguida os parlamentares seguiram até uma casa onde, segundo denúncias, aconteciam os encontros do prefeito Adail Pinheiro com crianças. O local, conhecido como casa de vidro, fica em um bairro periférico da cidade. A casa chama a atenção pela opulência em relação as demais moradias do local. "Essa casa foi relatada em diversos depoimentos. Isso não pode mais acontecer em Coari", afirmou a deputada Liliam Sá.

Intervenção

Segundo as deputadas, assim que retornarem a Brasília, irão pedir a intervenção no município para acabar com o poder econômico de Adail Pinheiro na cidade. "Essa é a maneira de pararmos com as ameaças. Adail, mesmo preso, ainda exerce poder e influência na cidade. Por isso temos que tirar todas as pessoas ligadas a ele da prefeitura", finalizou Erika Kokay.

As parlamentares retornam hoje para Manaus onde, amanhã, passam a ouvir vítimas de uma outra rede de exploração sexual de crianças e adolescentes na capital amazonense e que foi exposta pela operação Estocolmo. Empresários e deputados estaduais são investigados nessa nova denuncia que irá ser apurada pela CPI de combate a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Tags: abusos, AM, menores, político, sexuais

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