Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

País

"Vi cenas de uma violência descomunal", diz perito do caso Carandiru

Portal Terra

Cenas “de uma violência descomunal, descabida”: assim o perito aposentado Osvaldo Negrini Neto descreveu nesta segunda-feira, em São Paulo, o cenário encontrado no pavilhão 9 da antiga Casa de Detenção do Estado após o massacre que deixou mortos 111 presos em 2 de outubro de 1992.

Negrini Neto é a primeira testemunha a ser ouvida neste primeiro dia do terceiro júri do massacre—assim classificado pela Organização de Estados Americanos no ano 2000. Além dele, ainda hoje devem ser ouvidas outras duas testemunhas de acusação: um sobrevivente do massacre e um ex-diretor da unidade prisional. O terceiro júri tem como réus 15 policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE) que respondem pela morte de oito presos do quarto pavimento (equivalente ao terceiro andar).

De acordo com o perito, testemunha nos outros dois júris do caso, as condições à época eram hostis ao trabalho da perícia. “A princípio era proibido entrar e fazer perícia no local”, disse o perito, que trabalhou no Instituto de Criminalística por 36 anos. “Além disso, a prova que mais dá evidência do que fato ocorreu é a posição dos corpos. Quando cheguei lá, os corpos estavam amontoados no primeiro andar”, declarou.

Tese defendida pela defesa, um suposto tiroteio entre PMs e presos que teriam reagido à entrada dos policiais foi descartada pelo perito a partir de restos de chumbo detectadas nas celas. Segundo ele, o cobre é vestígio de armas como metralhadora e pistola; revólveres, apresentados à época como posse dos detentos, deixavam vestígio de chumbo.

Tags: julgamento, massacre, negrini, presos, SP

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.