Jornal do Brasil

Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

País

Jornalistas fazem manifestação em memória a cinegrafista em Curitiba

Portal Terra

Cerca de 60 repórteres fotográficos, cinematográficos e jornalistas paralisaram suas atividades e fizeram um manifesto na tarde desta terça-feira em Curitiba, em memória ao repórter cinematográfico Santiago Andrade, morto após ser atingido por um foguete durante uma manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus na última quinta-feira, no Rio de Janeiro. Eles juntaram seus equipamentos sobre uma faixa preta e imagens de Santiago para protestar contra a violência contra profissionais de imprensa e a falta de condições de segurança no trabalho.

"É uma manifestação em apoio à família e em memória de nosso colega Santiago. Desde que as manifestações passaram a terminar em violência, são diversos os casos de jornalistas feridos, seja por pedrada de manifestante, seja por bala de borracha ou estilhaço de bomba da polícia. Parecia uma tragédia anunciada", disse Valquir Aureliano, presidente da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Paraná (Arfoc). Ele informou que a associação está solicitando equipamentos de proteção semelhantes aos usados em coberturas policiais para profissionais de imprensa que cobrem manifestações. "Infelizmente, todas as manifestações estão acabando em confronto, precisamos zelar pela vida dos trabalhadores", disse.

Diretor da Arfoc, o repórter fotográfico Franklin Freitas disse que a tragédia que aconteceu no Rio de Janeiro poderia ter ocorrido em Curitiba. "Desde junho do ano passado, todos os protestos estão acabando em confronto. E o jornalista está no meio desse fogo cruzado. A situação piora quando não somos atingidos por acidente, mas acabamos sendo vítimas dos vândalos ou mesmo da polícia. Se registramos um ato de vandalismo, tomamos pedrada. Se registramos um policial cometendo abuso, levamos tiro de borracha", disse. Franklin disse que a Arfoc orienta seus associados a cobrirem as manifestações sempre acompanhados de outros colegas. "Nessas horas temos que esquecer que somos concorrentes, deixar de buscar uma imagem exclusiva, para cuidarmos das nossas vidas e de nossos colegas."

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, Guilherme Carvalho, lembrou que o ato não é contra as manifestações. "Os movimentos são legítimos e o jornalista está lá para registrá-los. Só não podemos admitir que trabalhadores, no exercício de seu ofício, sejam alvo tanto da polícia quanto de alguns grupos que se infiltram entre os manifestantes para cometer agressões", disse.

Tags: acusado, band, cinegrafista, morte, rojão

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