Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

País

Governo promete política de Estado para proteger atividade jornalística

Portal Terra

Após a primeira morte de um profissional de jornalismo em decorrência de manifestações, o governo federal prometeu atuar em duas frentes para garantir a liberdade de manifestação e ao mesmo tempo a liberdade de imprensa. Após encontro com associações representativas do setor, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu uma política de Estado para a proteção de jornalistas.

“Decidimos criar um grupo de trabalho que reunirá não só empresários da área, como representantes de jornalistas, do Ministério da Justiça e especialistas em segurança pública para garantirmos uma política de Estado de proteção ao jornalista”, afirmou o ministro. “A liberdade de manifestação é uma decorrência nacional da democracia, mas também temos dito que é inaceitável, intolerável que pessoas se aproveitem de manifestações para praticar atos de violência que atingem o patrimônio público e privado e agora ceifam vidas”.

Nesta terça-feira, dirigentes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Nacional de Editores de Revista (Aner) entregaram ao ministro um relatório com casos de violência contra jornalistas e veículos de comunicação ocorridos em 2013 e 2014.

“Tem sido constantes as agressões a jornalistas. Recebi um relatório impactante sobre isso. Temos há algum tempo ações contra jornalistas, que são trabalhadores, e que acabam sofrendo consequência de atos inaceitáveis”, acrescentou o ministro.

Segundo as associações, foram registrados sete assassinatos no período, 15 agressões, dez atentados, 16 ameaças, suas intimidações, além de seis casos de censura judicial. Durante cobertura de protestos, houve registro de ataques ou vandalismos (14), agressões e intimidações (86), intimidações (9), ameaças (11) e detenções (6).

Casos de agressão a jornalistas ganharam notoriedade após a morte do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, atingido na cabeça por um rojão durante a cobertura de um protesto contra o aumento do preço do ônibus no Centro do Rio de Janeiro.

“A nossa expectativa nesse encontro de hoje foi trazer a preocupação com a escalada de violência que tem ocorrido contra os profissionais de imprensa”, explicou o presidente da Abert, Daniel Slaviero. “Toda vez que um profissional da imprensa é impedido de levar informação, que mais é prejudicado é a sociedade”, acrescentou.

Agenda de reuniões

O ministro da Justiça detalhou uma série de reuniões e grupos colegiados que deverão fazer reflexões sobre dois eixos: violência em manifestações e risco à imprensa. Para amanhã, Cardozo tem marcado um encontro com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com propostas legislativas sobre os temas.

Na próxima quinta-feira, representantes do Ministério da Justiça também participarão de um colégio de secretários estaduais de segurança pública, a ser realizado em Aracaju (SE), para discutirem protocolos a serem adotados pelas polícias estaduais.

Ficou ainda para terça-feira, o primeiro encontro do recém-criado grupo de trabalho dos representantes de empresas e profissionais de jornalismo com o governo federal.

Tags: band, cinegrafista, grupos, morte, Trabalho

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