Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

País

Mulheres ampliam participação no Programa de Aquisição de Alimentos

Agência Brasil

Uma família de agricultores recebe um pedaço de terra em um assentamento rural no interior de Alagoas. A terra seca e até então pouco produtiva se transforma em oásis para o sustento da família de Luciene Maria da Silva Santos. “Eu olhava para os quatro cantos e dizia: e agora, meu Deus? Meu marido só sabia plantar inhame e tanger boi”.

Pois, do inhame, Luciene Maria da Silva Santos teve a ideia de fazer o pão, agregando valor à produção familiar. Hoje, além de fornecer alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), ainda sobra para vender na comunidade e nos estabelecimentos de Viçosa (AL), onde se localiza seu lote. “Eu levava os meus produtos para a rua, oferecia nos mercados, até conhecer o articulador do PAA no município, conhecer o sistema e desenvolver a panificação”, conta a agricultora.

Luciene é uma das muitas mulheres que tomaram a frente da produção familiar e que hoje representam 37% dos fornecedores do PAA. Segundo o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Arnoldo de Campos, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), a atual participação das mulheres é muito significativa. “É o resultado de uma ação objetiva, de dialogar com a sociedade, com as organizações da agricultura e priorizar a inclusão das mulheres”.

As experiências desse programa foram apresentadas hoje (4) durante o seminário internacional PAA + Aquisição de Alimentos no Ano Internacional da Agricultura Familiar, em comemoração aos dez anos de implantação do programa, que possibilita aos agricultores familiares de todo o país a venda de produtos para o governo. Alimentos destinados a hospitais, creches, escolas, asilos e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Segundo a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, o PAA é referência mundial, pois conseguiu aliar o fortalecimento da agricultura familiar à produção de alimentos saudáveis e levar alimentação para pessoas em situação de insegurança alimentar. “Mais de três mil tipos de itens vêm sendo comprados pelo setor público, ajudando a construir a cadeia produtiva no Brasil e servindo de exemplo para outros programas, como o Pnae”.

Para o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Toledo (PR), José Augusto de Souza, que apresentou no seminário a experiência da sua cidade, se não fossem as mulheres, não haveria PAA. “Quem acreditou primeiro no programa foram as mulheres dos agricultores. Para nós, a mulher foi fundamental, e queria destacar isso. Se não fosse a visão feminina de produzir a bolacha, o pão, o macarrão, não teríamos esse sucesso”, disse.

Arnoldo de Campos disse ainda que o PAA é uma porta de entrada para o agricultor se inserir também no mercado geral. “A experiência de vender para o governo, que não é simples, serve de aprendizado e reflete na capacidade de lidar com o mercado privado, de participar de feiras e rodadas de negócio”.

Esse aprendizado, certamente, foi uma porta aberta para Luciene. “Com um programa desse à frente, não podia deixar passar a oportunidade, eu tinha a matéria-prima e tudo a meu favor. Coloquei o inhame no fogo, peguei a massa, fui fazendo para ver no que dava”, disse ela. Para a agricultora, o reconhecimento também é muito importante. “Não é só dinheiro em si, mas ver o nosso trabalho ser reconhecido, isso está me maravilhando”.

Tags: alimentação, escolar, nacional, paa, programa

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