Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

País

Página/12: Dilma fortalece compromisso com Cuba

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O jornal Página/12 publica uma reportagem nesta segunda-feira (3/2) destacando "um forte compromisso" entre o governo brasileiro e Cuba. O veículo argentino avalia que esta é uma nova fase que revela que as relações com Cuba não se limita a apenas investimentos, como provou a construção do porto de Mariel. 

A matéria de Eric Nepomuceno, correspondente do jornal no Brasil, foi uma "coincidência simbólica" a presidente Dilma Rousseff abrir a reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e depois seguir para Cuba. O jornalista observa que com o antecessor de Dilma, o ex-presidente Lula, aconteceu o contrário: enquanto Dilma desembarcou em Davos no último ano de seu governo, o primeiro presidente brasileiro de um partido declaradamente esquerda foi à Suiça logo que assumiu o seu governo.

O texto do Página/12 destaca que a viagem de Dilma à cidade suíça tinha um objetivo claro, como parte dos esforços para recuperar a confiança dos investidores em todo o mundo, olhando com cautela e preocupação a escalada da inflação relativamente elevada (5,91% em 2013) e o crescimento econômico bem abaixo do esperado (1,9% em 2013). Por sua vez, a viagem a Havana, muito mais do que para participar da cúpula CELAC, devido à nova estratégia brasileira para a ilha, os planos do país no curto prazo, aumentar fortemente a sua presença em Cuba, e ocupam espaço amplo e de grande peso.

Segundo o jornal, o governo de Dilma tem "um olho" nas mudanças implementadas por Raúl Castro na economia cubana e nos benefícios potenciais que podem incentivar, e outro no campo da política. Isso mostra que o Brasil está se movendo firmemente em direção a uma nova etapa nas relações bilaterais. "Em sua curta estadia em Havana, além dos compromissos do protocolo que incluiu um encontro com Fidel Castro, Dilma Rousseff, disse algo que deve ser medido com cuidado: o Brasil está determinado a se tornar um 'parceiro de primeira ordem no campo econômico', mantendo o mesmo nível, desde a chegada do governo do PT em 2003, o diálogo em curso no campo da política.", enfoca o texto.

Na visão do Página/12, a nova fase revela que, principalmente a partir de 2010, o último ano da presidência de Lula, foi marcado por muitas declarações de solidariedade a Cuba e comentários restrito a embargo dos EUA e as condições humilhantes impostas pela União Europeia. Agora, há medições de gravidade práticas e específicas. A participação brasileira na construção do novo porto de Mariel e instalação do que os cubanos chamam de "zona econômica especial", mas na verdade a intenção é de ser uma zona franca, tem sido decisivo, segundo a análise do jornal. A máteria destaca que foram alocados 1,1 bilhões de dólares, e deve haver mais contribuições de alto volume para a indústria das empresas brasileiras localizadas no complexo de Mariel.

"Esse é certamente o maior projeto em Cuba, com a chance de ser o eixo transformador da economia do país e parte essencial das reformas que vão trazer grandes mudanças para a ilha", diz o texto. E complementa que a Odebrecht já anunciou que aguarda a liberação do BNDES para participar da expansão do aeroporto de Havana. E diz ainda que a presidente Dilma anunciou durante a sua visita, o crédito de cerca de 500 milhões de dólares destinados a  Cuba, para importar bens e serviços para o Brasil e importadores brasileiros para comprar produtos cubanos. Fora as negociações de petróleo, o Brasil é o segundo maior exportador de Cuba (16% do total de importações da ilha), batendo o Canadá por pequena margem. A China é o principal exportador: 42%. Além disso, o Brasil é o quarto maior importador (principalmente de medicamentos e vacinas). E cinco mil médicos cubanos trabalham no Brasil.

O Página/12 afirma que o Brasil quer consolidar o seu peso e a sua liderança na América Latina. Com a incerteza da situação na Venezuela, o principal fornecedor e financiador da ilha, o Brasil surge como alternativa de poupança. Os estrategistas da diplomacia brasileira costumam dizer que eles acreditam mais na ação do que em palavras, de acordo com a reportagem. E em relação a Cuba, a melhor maneira de apoiar o processo das transformações internas realizadas por Raúl Castro está investindo grandes quantidades de recursos em projetos estruturais que podem efetivamente mudar as realidades internas.

Tags: CONSTRUÇÃO, Cubanos, investimentos, mariel, Porto, rousseff

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