Jornal do Brasil

Sábado, 23 de Agosto de 2014

País

MP ouve PM e convoca empresas sobre incêndios de ônibus

Portal Terra

O Ministério Público de São Paulo vai ouvir esta semana representantes das empresas de ônibus que prestam serviço à Prefeitura, via permissão ou concessão, para saber que medidas de segurança elas próprias têm adotado para garantir a segurança contra ataques incendiários. Só este ano, até o último domingo, foram 35 ataques na capital paulista –média de um veículo incendiado por dia.

A medida foi anunciada nesta segunda-feira pelo promotor de Patrimônio Público Saad Mazloum, após uma audiência com o comando da Polícia Militar para tratar do mesmo assunto. Essa foi a primeira audiência relativa aos incêndios dentro de um inquérito civil público que apura a qualidade do transporte público na capital paulista.

De acordo com o promotor, na reunião de hoje com representantes da PM foi informado que, desde o começo de janeiro, 16 pessoas foram presas por conta dos ataques, de modo que seis, atualmente, seguem detidas. Para Mazloum, uma explicação provável para dez suspeitos de incêndios terem sido liberados é a tipificação do crime –não se trata em boa parte dos casos, por exemplo, de tentativa de homicídio, crime ao qual não cabe fiança.

Ainda segundo o representante do MP, as explicações da PM “foram suficientes” para o MP entender que, pela corporação, as medidas de segurança têm sido aplicadas para coibir novos ataques. Entre elas, estão policiais à paisana dentro dos ônibus. “Desde esse reforço, pelo que nos foi informado, diminuiu bastante o número de ocorrências”, disse.

A reunião com a PM serviu também para identificar as motivações para os ataques. “Apenas um caso de incêndio se referia à qualidade do transporte, no caso, demora na circulação de ônibus; há desde enchentes em determinadas localidades a assassinatos e suposta dívida com o crime organizado. Isso a Polícia Civil está investigando”, afirmou o promotor.

Mazloum declarou ainda ter recebido de “uma pessoa no alto comando da Polícia Militar” a informação de que os ataques teriam interesse midiático por parte dos criminosos. “Fui informado que esses incêndios costumam acontecer no momento em que determinados jornais vão ao ar. Não me cabe expender qualquer tipo de opinião sobre isso”, encerrou Mazloum.

Depois da audiência com as empresas de ônibus, o MP quer ouvir representantes da SPTrans (São Paulo Transportes) sobre as medidas adotadas para prevenir novos incêndios em ônibus. Sobre as empresas, o promotor definiu: “Com cada veículo custando de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, e sem que as seguradoras cubram esse tipo de sinistro (ataques incendiários), não acredito que os empresários estejam tão temerosos assim com gastos em segurança”, opinou.

Tags: Atos, protestos, ruas, SP, vandalismo

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